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Etienne De Crecy Live 2007 Transmusicales de Rennes from Clement bournat on Vimeo.

ANIMUS VIVENDI

- SINE QUA NON - indis ¬ pensável
July 01

SOBRE TODOS OS COMEÇOS, MEIOS E OUTROS FINS...

 
''O que quero com este blog?
Lembrar às pessoas
que existem na vida outros,
diversos outros,
espaços
e cenários
possíveis.''
Julio Carvalho
 
" Blogs: a mídia é a mãe.
O pai é desconhecido.
Que reine a bastardia."

Ivan Lessa - in WUNDER BLOGS.COM 
 
 

SOBRE TODOS MOMENTOS DE AMAR...

 

"os juramentos que nos juramos entrelaçados naquela cama

seriam traídos se lembrados hoje

eram palavras aladas e faladas não para ficar

mas encantadas, voar

faziam partes das carícias que por lá sopramos

brisas afrodisíacas ao pé do ouvido

jamais contratos

esqueçamo-nos

pois dentre os atos da língua

ouve outros mais convincentes e ardentes sobre os lençóis

que esses em futuras noites

em vislumbres de lembranças

sempre nos deslumbre."

Palavras Aladas - Antonio Cícero

 

                                                                                                                                          lovevol- Julio Carvalho

 

I

queria voltar a falar do amor sem amar

beber água sem sede

cansado de andar

faltando ainda mais que um quilômetro

então ficam amores passados

já que presente não existe nem sentimento

agora é só amor de lembrança

que não alimenta

só aumenta

solidão

 

difícil sina de poeta amar sem amar

quase

sempre

 

II

o vinho virou água

- ao contrário do que se pensa

nem tudo são milagres

 

II

o casal na sala fechada

botando a limpo segredos

e outras confissões bestas de traições e tantos outros absurdos conjugais

reclamações femininas atrás da porta

 

ela diz que o marido é um galinha

ele diz que precisa de ovos

senão o relacionamento

tranca

 

no final a porta nem abre

o cheiro na fechadura

choca

 

June 30

SOBRE VERDADES E MENTIRAS...

 

"fuce. mais. encontre o estrume. o estilo.
fuce poeta. atrás -por trás - da palavra.
ela vai dizer que não quer. que é moça.
fuce. force. não fale a verdade:

fale: salvação. escória. ventre.
talvez ela olhe e mostre a língua.
ou o lábio encarnado enganando a boca.
ou contorça-se em mesóclise. talvez.

não fuja. enfrente. gadunhe com febre.
a palavra falseia mas gosta dos cantos.
das entraduras sem que ela peça.

vá. cresça dentro da palavra. esqueça
vergonha menoridade castigo.
faça seu dever de porco. de macho."
 
quase um sonetinho terroso  - Rubens da Cunha
 
 
fim dos casos
 
quase toda a verdade veio a tona
desafogada
muita gente veio ver
virando noites e noites
em viagens e voltas atrás dos fatos
a água lhe saia pelos ouvidos e livros e livros e livres
eram vendidos tentando explicá-la
não houve apuração de nada
nada se confirmou e nem nada se soube
talvez fosse só mais uma mentira
desaforada
 
 
June 27

SOBRE OS DIAS FRIOS...

 

"Foi por meio da poesia que você conseguiu respeito?

Eu conquistei o desrespeito, que é uma forma de respeito ainda maior.

Um poeta que se dá bem com todo mundo está fazendo uma outra coisa que não poesia.

Ele deveria estar trabalhando no Itamaraty.

Porque você está num ato de franqueza e transparência inadmissíveis.

Tem de ter uma crueldade consigo para não ser cruel com os outros. Você tem de ser prodígio de seus defeitos.

Você acha que isso aproxima a poesia das pessoas, pela identificação?

Pela humanidade. Gosto muito de uma frase de Nelson Rodrigues, “toda grandeza desumaniza”.

A gente tem que encolher. Nosso corpo encolhe ao longo da vida de propósito.

A gente tem que aprender a dar espaço."

Do escritor Fabricio Carpinejar em entrevista a Carlota Cafiero

 

 

não vou fazer nada
hoje
o frio enclausura todo pensamento
ficar em casa com chocolate quente
escrevendo
e inspirar um pouco
faz tempo que não escrevo nada
senão perco a mão
o jeito
o pé
a cabeça
o pescoço
o corpo
eu me perco todo se não escrevo
eu viro lâminas
eu corto
 

May 07

SOBRE AS VOLTAS...

 
eu traduzo só o que os outros não sabem porque o uso dos outros é a minha palavra escondida J.C.
 
 
 

a palavra favorita

está escondida

nos bolsos

e nas bocas dos outros

o que eu escrevo é só o eco

do que eu roubo

e escuto dos bolsos

e que acaba em poesia mesmo

 

April 27

SOBRE O AMOR E OS INFINITOS...

 

“A mariposa sob as goteiras
com asas como
a casca de um tronco, estende-se

 

e o amor é uma curiosa
coisa suavemente alada
imóvel sob as goteiras.”

Prelúdio ao Inverno - William Carlos Williams -  Tradução de José Lino Grünewald

 

 
 

INFINITO-ME

 

eu não tenho nada com isso até o infinito

dos dicionários

dos exageros

e outras coisas sem fim

 

penso nas coisas de olhos fechados

que é para que as coisas não tenham nem começo

- no escuro não se vê nem o meio

quanto mais o fim

 

esses infinitos são absurdos científicos

que a física quântica

tenta que tenta explicar e só consegue

espaços com horas vazias

e raciocínios na dobra do tempo perdido

 

melhor que as coisas infinitas sejam bem ditas

e muito mais percebidas

por outros sentidos e fala e língua e olho e fato e pele

 

apelar pro infinito desses sentidos

faz mais sentido

que todos os outros infinitos

científicos

juntos

 

eu não tenho mais paciência para certos cálculos sentimentais...

 
 
 
March 15

SOBRE A PALAVRA ENCONTRADA...

 

“Sonho o poema de arquitetura ideal
cuja própria nata de cimento
encaixa palavra por palavra,

tornei-me perito em extrair
faíscas das britas e leite das pedras.”

A Fábrica do Poema - Adriana Calcanhotto / Waly Salomão

 

 

 

http://www.palavraencantada.com.br

 

eu sou

alguém

que tem

que segurar

as sensibilidades

com  muito cuidado

pelo lado de dentro

e as paredes que me contém

são de letras fáceis e de coisas leves

nem as aves voam tão alto assim não

seguro tudo

pra não cair de maduro

sou o tudo muito

muito eu nós muita voz muito eles

eles todos que ouvem pelos buracos

pelos cacos e outros retratos de ponta

não sou o que desaponta e o que tem os sentidos

roubados de livros e arestas de ruas

e das coisas atrás das paredes

e das redes de computadores online

conectadas muito fora da linha

como o desalinho das nossas naus sem rumo

nav(el)egantemente em mares de sentidos

com suas marés instáveis

de fluxo sanguíneo tão vermelho

quanto coagulado de sensações tão juntas

que o espanto é pouco pra uma definição completa

da linha direta que une

em mim a poesia,

música e

inspiração.

 

March 11

SOBRE OS OLHARES DA ARTE...

 

"O verdadeiro artista é o que dialoga com sua obra,

o impostor dialoga com seu público"

E. H. Gombrich

 

CINCO OLHARES

 

nome

confronto

 

 a vida é people

 

 night child

 

 a porta

 

 

February 17

SOBRE MEIOS E CÍRCULOS...

 

"entre o fim do começo e o começo
do fim toda coisa tem uma massa
inerte feito ponte pela qual
passamos distraídos – ou não:
os astecas sentiam chegar o exato
momento do meio da vida – o meio
do meio da vida, o momento em que
o que já vivemos é exatamente
igual ao que ainda não vivemos
– e nesse momento preciso o mais
comum dos astecas sentia uma súbita
e inexplicável vontade de tomar um trem
mas como ainda não o tinham inventado
ele acabava por entristecer-se
(daí a tristeza, essa vontade de algo
que ainda não inventaram)"
o meio de todas as coisas - GREGORIO DUVIVIER

(A Partir de amanhã eu juro que a vida vai ser agora, 7Letras, 2008)

 

 

 

  coisas que giram

e andam em círculos

e os círculos dentro dos circuitos 

das voltas que o mundo dá

 

(entendem-se as voltas e os recomeços

e todas as outras coisas

que andam juntas e agarradas)

 

a vantagem dessas coisas circulares

é que elas não tem lados

e sempre se pode segurar

em qualquer ponto do trajeto

 

entendo melhor

a vida em círculos

do que viver pelos quadrados

chorando

pelos

cantos

 

February 06

SOBRE A NATUREZA DA ARTE...

 

“Mas ainda mais raro, particularmente na época moderna,

é quando um artista é capaz de penetrar-se na profundidade dos objetos,

bem como na profundidade de sua própria mente,

a fim de produzir em suas obras não apenas algo que faz efeito de maneira leve e superficial,

mas, em competição com a natureza, algo de espiritualmente orgânico,

de modo que possa dar à sua obra de arte tal conteúdo,

tal forma que faça com que a obra pareça ao mesmo tempo natural e além do natural.”

Propileus* – introdução, S.W. Goethe

 

 

                                                                                                                                              www.castro-o.blogspot.com

respostas

da natureza

que os homens

deveriam

ter:

 

a natureza nunca é enferma

- simplesmente morre -

a natureza ao contrário dos homens

não adoece.

 

o que é natural tem

flexibilidade

movimento

e adaptação.

 

 
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Julio Carvalho

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