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    November 30

    SOBRE OS NOVOS HÁLITOS...

     
    "O A grávido de O.
    Érres e ésses atacando Es.
    A multiplicação de agás.
    Rios de Us e emes e zês.
    Esqueletos de signos fragmentados.
    Dança de letras sobrepostas possibilitando diferentes leituras.
    Paisagens.
    Horizontes ou abismos."
    Arnaldo Antunes
     
     
    HÁBITOS/HÁLITOS
     
    Os sobes e os desces
    os alívios imediatos
    e os remédios rápidos
    os aleatórios
    e os impróprios
    esquecidos e aquecidos
    pelo sol do meio dia
    o que não se adia
    que tem que ser feito agora
    na hora
     
    escovar uma boca
    cheia de dentes e adoçar
    o antigo amargo dos dias
     
    tudo
    reaparece
    acendendo a luz do sol
    tocando um sino
    em si bemol
    aparando arestas
    com os cheiros do nariz
    reciclando o que não presta
    e ficar à vontade
    arrancado de dentro
    à força das vontades
    inteiridades
    e vades retros
    que se acabe o mal
    o fim das maldades
    dentro
    da
    realidade
    bucal
     
    a descoberta:
    o mundo é um quintal
    oral... 
     

    SOBRE OS MOMENTOS LÍQUIDOS...

     
    "Depois que todos se vão
    fico sozinho entre os poemas.
    Alguns são meus,
    outros não.
    Gosto mais dos poemas que não são meus.

    Fico em silêncio
    e a pressão abandona a garganta.

    Fico,
    mas às vezes queria que não ficasse ninguém.

    É agradável escrever versos.
    Você sente o quarto e as paredes crescendo,
    as cores estão mais fortes.
    Você queria que não ficasse ninguém.
    Não compreende bem o que se passa.
    Parece que pensa em duas coisas de uma só vez.
    Depois tudo passa e se transforma em cristal puro.

    Mais tarde o amor.
    Em frente a mim
    e em verso."
    Adaptação de "Você com certeza se lembra" de Dahlia Ravikovitch
     
     
     
     
    Para Marco Vinícius - garotobrasilia@hotmail.com
     
    INEVITÁVEL
     
    um dia tudo o que escrevo
     
    vai virar livro
     
    um dia eu até vou virar livro
     
    pra me livrar de mim mesmo
     
    um dia, me livro...
     
     
     
    NO ENTANTO, ÁGUA
     
    a vida é
     
    a vida foi
     
    tudo num espaço de segundos

     

    (entrelinhas)

    ...fiz muito do que sou usando a raiva como argumento...

    (entrelinhas)
     
               ...e hoje não quero nada mais disso...
     
    (entrelinhas)
     
               ... e já foi - tudo isso já foi...
     
    (entrelinhas)
     
               ...isso é líquido e certo e fim...
     
     
    November 28

    SOBRE OS QUE VIVEM OS DIAS...

     
    "Deixo aqui meu desejo por quem não me vê
    porque também é preciso ver
    depois de um tempo demais sem voz,
    acordo:
    sou feito de pena e vôo"
     
     
     
     
    O DIA
     
    que nada nada nada nada
    de outrora até agora só mais poeira
    e o aspirador nos olhos pra espantar a tristeza
    os restos e o tudo mais que não presta
    aparências enganam
    mas as demências parecem ser muito mais reais
    até então entendam-se os fatos e as faltas vividas
    ainda que fosse por só um segundo
    melhore a causa e tudo o que pode ser mudado
    o resto que não muda
    deixe
    quieto nas bocas dos outros
    eles é que falem mal
     
    equilibrio
    consumido no essencial
    na horizontal
    numa cama de estrelas à noite
    numa rede de nuvens de dia
    faça cara triste pelos cantos
    e na frente dos outros
    alegria
    (não por ser falsa - é por conveniência! )
     
    o dia o dia o dia o dia
    é coisa séria
    não tem mistério
    limpe os pés antes de entrar em cada um
    limpe os olhos
    limpe as lágrimas
    o dia o dia o dia o dia
    precisa
    ser
    vivido
    inteiro
     
    a vida é por isso...
      

    SOBRE O ÚLTIMO EU VIVENTE...

     
    "Inventava:

    um
    quinto
    olho.

    te ver

    inclusive de rabo de olho
    disfarçado em distração."
     
     
    CARPE OMNIUS*
     
    Eu não falo. Eu lamento.
    Eu não tenho. Eu falto.
    Eu não posso. Eu alcanço.
    Eu não fico. Eu atravesso.
    Eu não passo. Eu me acabo.
     
    Eu não. Eu não. Eu não.
     
    Eu não canso. Eu me espaço.
    Eu não faço. Não faço. Não faço se não sei.
    Eu não sei. Eu passo.
    Eu não sou traço. Eu não sou rabisco.
    Eu corro o risco.
     
    Eu não. Eu não. Eu não.
     
    Eu sou muitos de dois minutos de mim.
     
    Eu sou assim.
      
    *Aproveite tudo.
     
    November 27

    SOBRE O SER REVERSÍVEL...

    "Foi um sêmen plantado com meu nome nos antigos rincões da mata virgem.
    A raiz, de tão dura, ninguém come, porque nela plantei a minha origem.
    Ensinar o caminho eu não sei. Das mil vezes que lá passei,
    nunca pude guardar o seu desenho.
    Como posso saber de onde venho, se a semente profunda não toquei?
    Como posso saber a minha idade se meu tempo passado não conheço?
    Se a lembrança não tem capacidade, como posso me ver desde o começo?
    Se não olho pra trás com claridade, que futuro obscuro aguardarei?
    Como posso saber de onde venho se a semente profunda não toquei?
    Tantos povos se cruzam nessa terra, que a roleta dos genes nunca erra:
    o mais puro padrão é o mestiço.
    Como posso pensar ser brasileiro, enxergar minha própria diferença,
    se olhando ao redor vejo a imensa semelhança que liga o mundo inteiro?
    Como posso saber quem vem primeiro, se o começo eu jamais alcançarei?
    Como posso saber de onde venho se a semente profunda não toquei?"
     Sêmen - Bráulio Tavares e Siba
     
     
     
    REVERSÍVEL
    Para Juliana

    não paralisar os sentimentos
    não minimizar as dores
    não diminuir os amores, humores e as outras coisas
    quaisquer que sejam boas ou não
    não deixar o tempo passar só
    como um passatempo morno
    ou um tempo morto
    sem nada que possa ser notado
    ou digno de nota e aceitação
    não desacreditar por mais impossível que seja
    no estranho ou em alguma possibilidade de amar
    não esquecer
    não perder e se perder,
    lembrar porquê e quando e o valor da perda
    não ser estático ou antipático a mudanças
    poder ir e voltar
    poder não ser sempre o mesmo
    poder não se enraizar
    poder ter o poder de sempre mudar
    não virar monumento
    não virar estátua
    não endurecer
    enrijecer
    emudecer
    e não SE cristalizar...
    November 24

    SOBRE OS BONS E OUTROS QUE FAZEM MAL...

     
    "visto daqui
    está tudo fluindo:
    algumas pessoas-vazio
    outras pessoas-represa.
     
    mas as coisas estão fluindo
    fluindo aqui ... represa aí
    os fluxos de cada um
     
    algumas represas se abrem
    de repente
    em alguns vazios -
    mas agora parou.
     
    Aumentada a sede
    e o vazio:
    meu vazio e sua sede
    cada vazio com sua sede
    fluxos..."
    FLUXOS - Julio Carvalho
     
     
     
    QUASE NULO
     
    Sem espaços vazios
    Sem maldades
    Sem ferro, fogo ou espada
    Sem dentes ou tridentes
    Sem o bom
    Sem o ruim
    Sem o anjo 
    Sem os demônios à solta
    Sem a lingua presa
    Sem a palavra calada
    Sem manha e manhã
    Sem vergonha e sem vícios
    Sem inícios
    Sem começos e nem afins
     
    Sem fim, afinal
     
    Procuro ser 
    sobrevivível
    (eu sou mais que o visível)
     
    O essencial
    é imprevisível
    aos olhos.
     
    Quando muito quieto
    e em silêncio,
    é pleno.
     
    E o pleno exige o silêncio.
     
    Hoje
    Sem som.
     
     
    November 23

    SOBRE OS ESPAÇOS LIVRES...


    "Ficar de porre
    Retornando ao mundo tudo outra vez
    é impossível tomar alegria.

    Morar dentro de si
    e ser despejado

    Trabalhar seu trabalho e ser consumido por ele."

    Poema dos refúgios -
    http://incrise.blogspot.com
     
     
    VÓRTICE
     
     
    November 21

    SOBRE AS POUCAS PALAVRAS...

     
    "Mais pelo jeito
    Das coisas
    Do que pelas coisas ditas
    Eu deveria viver.
    Desconfiando das palavras

    Mas sabendo
    Quanto delas dependo
    Para dizer o sim e o não

    E também dizer
    O que escondo dizer.
    Calar e esperar
    Isso é o que eu deveria fazer.
    Mas eu digo
    Falo
    E não calo
    Pois só assim
    Consigo me entender
    Desentender
    E suportar viver."
    Palavras - Ênio Mainardi

     

    MONOSSÍLABOS

    o vento

    dentro

    dos

    ouvidos

    faz só sempre

    o mesmo

    ruído

    a palavra e o vento no mesmo vazio...

     

    ...eu não digo nada por dizer porque eu sinto o que digo e falo e só... 

    SOBRE O VENTO QUE PASSOU...


    "NÃO SE DEIXE ENGANAR MANO
    NÃO VAI CAIR MANÁ DO CÉU
    NEM PÃO NEM PEIXE NEM PASTEL
    MAS MANDE LOGO UM CARTÃO-POSTAL
    QUANDO CHEGAR NO NIRVANA

    NA TERRA QUE JESUS PROMETEU / TEM DORTEM QUE DAR NOSSO SUOR
    TEM QUE DANÇAR BALÉ NUM PÉ SÓ
    TENTAR LEVAR A PEDRA AO SOPÉ
    E VÊ-LA ROLAR PELA MONTANHA

    VOAR SÓ ALADO OU ENCANTADO
    PELA COBRA QUE RASTEJA PELO CHÃO

    NÃO SE DEIXE ENGANAR MANO
    SEMANA QUE VEM DEUS DARÁ
    O TEMPO DE UMA SEMANA PASSAR
    E O PÁSSARO DE GIZ QUE O MANO É
    EM TRANSE EM TERRA ESTRANHA"

    REPROCISSÃO - (CHICO CÉSAR) 

     VENTOCIDADE

     O vento atravessa as manhãs. Espada solar. Aqui onde vivo, ele vem uivando sobre a cidade.
    Mas tem certos dias que ele acinzenta tudo. Enamora-se da chuva e caem, caem, caem sobre casas,
    pessoas, carros, árvores. O vento veste de umidade a carne urbana.
    Em alguns crepúsculos desaparece. As poucas árvores ficam estáticas,
    estarrecidas pela ausência de seu acarinhador.
    Nas madrugadas ele volta, amante sorrateiro, é possível ouvir as árvores gozando novamente.
    De repente ele vai embora (o vento sempre vai embora).
    O vento, ingrato, reentrega-se, reventa-se somente a quem fica de pé.
    O vento joga poeira e fuligem em cima das tardes. Muitos não gostam.
    Os lençóis nos varais amarelam, jardins ficam opacos. Culpa do vento, dizem.
    É ele que assopra a rua e ri das folhas, sacos plásticos. O vento incomoda também os insetos,
    mas nutre muita amizade com pássaros de grandes asas.
    O vento sente saudade do tempo em que as mulheres usavam longas saias,
    do tempo em que as janelas ficavam abertas e ele entrava pelas casas sem olhar,
    derrubava bibelôs, escaramuçava vasos, misturava papéis,
    tem saudade do tempo em que ele era Saci. Hoje, casas, vidas, imaginações são todas fechadas,
    o vento é sempre um atrapalho, um percalço na ordem cotidiana.
    Nem as crianças (ventos humanos) fazem as antigas brincadeiras.
    Há pouco vento no videogame ou na boneca que fala sozinha.
    O vento sempre gostou de disfarces, de múltiplas personalidades.
    Dizem as más línguas que ele prefere mesmo é aparecer na televisão
    fazendo um risco de morte nos prados americanos ou desenhando sua fúria nas tempestades de areia
    ao mesmo tempo em que revira litorais e nuvens. O vento quando doente grita invernos.
    Desfaz confortos. Destelha casas e corpos. O vento, feliz, amacia o verão.
    Acalma suores, venta mínimo, sussurra sua música de leve.
    Adormece os velhos no banco da praça.
    O vento, invisível que é e muito sensível também,
    gosta mesmo é de ser visto dentro dos cata-ventos e embaixo das pandorgas.
    O vento, apesar das más línguas, nunca conseguiu crescer.
     
    Adaptado de Rubens da Cunha in http://www.casadeparagens.blogspot.com
     
     
    ......e lá se vai outro vento lento além do meu coração...
     
     
    November 08

    SOBRE A CRIAÇÂO DE UMA OBRA PRIMA

     
    "Há de surgir
    Uma estrela no céu
    Cada vez que você sorrir
    Há de apagar
    Uma estrela no céu
    Cada vez que você chorar

    O contrário também
    Bem que pode acontecer
    De uma estrela brilhar
    Quando a lágrima cair
    Ou então
    De uma estrela cadente se jogar
    Só pra ver
    A flor do seu sorriso se abrir

    Hum!
    Deus fará
    Absurdos
    Contanto que a vida
    Seja assim
    Sim
    Um altar
    Onde a gente celebre
    Tudo o que Ele consentir".
    Estrela - Gilberto Gil
     
     
     
    A Construção de Uma Obra Prima - Parte I 
    A Inspiração
     
    Os acontecimentos amorosos vulgares da vida humana
    não preparam um artista para criar uma obra de arte que seja significativa.
    A maestria do êxtase de uma grande obra que ocorre no ápice da sua criação
    exige todas as cores de um grande amor que alguém possa viver.
    Uma vez que o artista experiente já tenha se dado conta disto, poderá de modo mais realista, incorporar os efeitos requeridos na sua obra, recorrendo ao novo e rico conhecimento em seu coração, apenas relembrando alguns de seus momentos amorosos.
    Por isso o artista precisa, vive, recebe e alimenta sua maior fonte criativa: a paixão.

     
    A Construção de Uma Obra Prima - Parte II 
    A Realização
     
    Cuidado com a primeira vez em que sua disposição e imaginação forem derrubadas quando na criação de uma obra prima. A arte não deve perder o privilégio da simples natureza de criar. A dissociação de amor e prazer deve ser equilibrada. Neste ponto foi descoberto um segredo do qual não nos recuperamos: o de que mesmo no mais perfeito amor, uma das pessoas ama menos que a outra. Talvez não haja duas pessoas que se amem igualmente. Diferente do amor real, o amor e o prazer devem estar em equilibrio quando no momento da criação. Deus provavelmente também deve ter passado por isto. O prazer não pode ser complicado pelo amor no ato criativo e o amor não deve ser tão intenso a ponto de entorpecer o prazer da criação. Tal amor quando não tão cego e exacerbado, pode criar obras de grande maestria é uma das maiores expressões do interesse próprio do artista na promoção da sua arte como uma continuação do seu amor por ela e a transmissão desse amor através de sua obra.

     
    A Construção de Uma Obra Prima - Parte III
    A Motivação
     
    Em algum momento todos morreremos e toda a lembrança da nossa presença terá deixado a Terra e nós mesmos seremos amados por um tempo e depois esquecidos. Mas esse amor terá sido suficiente. A arte terá sido suficiente e todos os impulsos do amor retornarão aos que o fizeram. Mesmo que as obras desapareçam. Mesmo as lembranças. Até mesmo a lembrança não é necessária para o amor. Há por isso uma Terra dos vivos e uma Terra dos mortos.
    E a ponte é o amor: o único sobrevivente, o único significado.
     

    SOBRE UMA SUPEREXPOSIÇÃO...

     
    "And the Earth spins round
    While the people fall down
    And the world stands still
    Not a sound, not a sound
    There is love, there is love
    To be found
    In the worst way, in the worst way
    In the worst way

    It’s the buzz, it’s the buzz
    It’s the buzz
    It’s the buzz, it’s the buzz
    I wish I was
    It’s the buzz, it’s the buzz
    It’s the most fuzz
    From a little shell
    At the bottom of the sea
    Was the Earth and the Moon
    And the Sun above me
    But the world fell down
    With some people still around
    There is love, there is love
    To be found
    With the Gods all gone
    And the souls making sounds
    In the worst way, in the worst way
    In the worst way
    It’s the buzz, it’s the buzz
    It’s the buzz
    It’s the buzz, it’s the buzz
    I wish I was
    It’s the buzz, it’s the buzz
    It’s the most fuzz
    From a little shell
    At the bottom of the sea
    Was the Earth and the Moon
    And the Sun around me
    There is love, there is love
    There is love
    It’s a buzz, it’s a buzz
    It’s a buzz
    It’s the buzz, it’s the buzz
    I wish I was
    It’s a buzz, it’s a buzz
    It’s a buzz"

    From A Shell - Lisa Germano

    BI-&-NAL
    (Adaptação)
    Para Rafael Gama
     
    Diálogo:
    J. Estava eu doente? Estou agora são?
    Quem foi o meu médico?
    Como pude esquecer tudo!
    R. Agora sim. Creio que está são:
    Pois sadio é quem esquece...

          ...então é assim que funciona o  que é triste? esqueçamos... 
    November 03

    SOBRE O ESSENCIAL...


    "Minha mãe achava estudo
    a coisa mais fina do mundo.
    Não é.
    A coisa mais fina do mundo é o sentimento.
    Aquele dia de noite, o pai fazendo serão,
    ela falou comigo:
    "Coitado, até essa hora no serviço pesado".
    Arrumou pão e café ,
    deixou tacho no fogo com água quente.
    Não me falou em amor.
    Essa palavra de luxo."

    Ensinamento - Adélia Prado

     
    WALKING LINES
    Para Rafael Gama
     
    Do amor passamos
    pelo entrecho das luzes
    sem início nem fim:
    um respirar e projetar-se
    para além do embate.
     
    Do amor passamos
    para a boca ao beijo
    e do alinhamento ao
    empate.
     
    Do amor passamos
    junto com um rastro iluminado
    que tu não vês
    assim como o tempo
    que se completa
    e refaz-se a aliança.
     
    Do amor passamos
    enquanto avançam as ruas
    as pessoas, os olhos dos outros
    e as coisas todas
    que não sabem
    de nós.
     
    Do amor passamos
    por um recomeço de viagem
    feito as árvores e folhas
    que crescem em mim
    em hera boa que envolve
    e aquece,
    e envolvem os músculos
    e preenchem as veias
    completamente.
     
    Do amor passamos
    e não ficamos
    ilesos.
     
    Hoje
    queria admirar-te (no escuro) sem pôr fogo no
    mundo.