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December 13 SOBRE COMO DAR UM JEITO NA VIDA...
"Se eu morrer amanhã que se salve a poesia ou que me salve a poesia e não estarei morto amanhã. Minha voz e as letras - como é preciso o encaixe das palavras – que dão sentido e, na busca, o encontro do que é estético ético do que é sintonia. Não vaguei neste mundo besta à toa, se bem que é bom vadiar. Vadiei. Se na volta da mesa toalha de cânhamo e vaso deixei vagar pensamentos e cheiro e sabor: como gosto de você. E procurei ajudar outros vadios, em precisão maior que a minha, pois há retorno na camaradagem. Sou de um grupo de semente vândala, de esparramante coração. Assumido vagabundo. Sinto falta de você. E lá se vão anos e gente de todas as vidas. Vi venderem a peso de ouro copeques sem valor. Fui passado para trás com um sorriso vago. Era vantagem. Vendo o sorriso vago de quem vendia. Não sou vítima. E cada disso com sentido: eu amo ser humano que se aventura... contudo vem agora canseira do vago, ventrílocos, vociferação. Já sinto sono no meio da volta. Este teatro eu vi ontem. E não que valha apenas o versado. Mas vai chegando a velhice e devagar cedo ao vigor do vento. Continuo amando o que é verde...ver-te vou indo ver." ![]() tem outro jeito?
como você vai? como vão as suas coisas? como vão seus dias, horas, anos e as coisas que te fazem falta? e as coisas que te doem na alma? as coisas esquecidas as coisas do fundo do fundo do fundo da memória aquelas que são tão boas que doem de lembrar é o que faz a saudade acordar verdade verdade não precisa ter bola de cristal pra inspirar deu vontade de fazer e eu fiz não diga que o que é espontâneo e de coração é erro erro é não se inspirar e não reclama...eu te ligo...eu importo...eu bati na sua porta mesmo sabendo que pode ser que sem você eu não volto. pode ser que não aconteça nada, pode ser um bumerangue, pode ser só um instante, o importante é que eu tentei... mesmo o seu silêncio, mesmo sem sua letra faço minha canção. o que importa é perceber que eu ainda sinto alguma coisa mesmo que não me venha medo, amor ou emoção. mas o que ainda vejo, o que tento e espero, é tirar do seu peito alguma coisa semente, alguma coisa que mostre que a gente ainda é gente e de repente pode se encontrar e a ter um ao outro e até quem sabe se apaixonar. me deixa. é como canção que vai saindo de lugar algum sem eu saber. é vento frio de manhã, é calor de beira da praia, é natural, é sol e sal, é a vida que eu sinto dentro, é poesia e não é lamento. entenda o inevitável. o tempo inesgotável dentro das cidades. nossas idades se confundindo. a coisa toda em possibilidades. nas histórias nos lugares. alguma coisa de mudança se espera que aconteça. e você aí quieto de coração fechado ainda não sabe. é a verdade. o que acontece aqui fora é muito especial. se você fecha a porta acaba tudo. fica nada e sem nenhuma felicidade...
é isso... December 11 SOBRE O TEMPO E O HOMEM COMUM..."Eu sou um homem comum
de carne e de memória de osso e de esquecimento" (Homem comum - Ferreira Gullar)
![]()
Meu pai morreu de infarto - rápido. Minha mãe morreu de câncer - rápido. ou rápido ou devagar. Muita gente desapareceu ou rápido ou devagar.
Os irmãos sumiram no mundo
E assim a gente percebe o velho dentro da gente.
Vejo muita coisa já voando
Escrito e adaptado a partir de poema de Ângela Melim Do livro Possibilidades, Rio de Janeiro, agosto de 2006
December 05 SOBRE AS NOVAS FORMAS DE SE JOGAR..."A reserva que um ovo inspira
é de espécie bastante rara: é a que se sente ante um revólver e não se sente ante uma bala. É a que se sente ante essas coisas que conservando outras guardadas ameaçam mais com disparar do que com a coisa que disparam. " João Cabral de Melo Neto ![]() GAMES
Um quase ganhar de alegria
Um quase estar perto de ter
Um quase amor
Um quase encontro
Jogos e murmúrios por baixo das mesas
olhares fartos e furtivos
em bares e lugares alguns
e por baixo das coisas
a duras penas
as pernas se cruzam
tentando disfarçar
os sentidos roubados
e criaremos outras formas
outras regras
outros jogos
outras cenas
Os dados, as torres, as cartas dadas
sempre outra vez até o quase
e um dia então
acontece:
o jogo acaba.
Ganho
ou morro
jogando...
SOBRE SONHOS & POESIA..."1. em terra de profetas quem se cala
é o poeta
2. porque houve auschwitz porque o caos é aqui
porque a palavra consola porque há tantos brasis
porque arte é ordem
escrevo e sou gris
3. entre a expressão (banal)
e a invenção
(genial)
fico com a impressão invento no leitor
a expressão
do meu horror
imprima-se" O P.S. - FREDERICO BARBOSA- (in Louco no oco sem beiras, São Paulo, Ateliê, 2001)
![]() IN-SANO
Sonho
que sou um louco solar insano
(com o sol dentro de casa)
de portas abertas
de portas inversas.
Ao contrário
entro pelas portas fechadas
e travo nas abertas.
No sono insano
os sonhos
atravessam até as portas
por mim...
December 03 SOBRE O QUE É SER E O NADA DENTRO..."Bombordo
aroma de rosas azuis Estibordo o corpo suspira espiral Acima o lume do teu olho em mar escuro o leme do teu olho astro- lábios." Navegação - Adalberto Muller
![]() FECHO
O que passa em falta
não se sente mais a falta como antes
as portas não se abrem mais
fechos cerrados
todos os meios
lacrados e sem sentimentos
nenhuma comoção
nada de emoção
agora
é o tempo do quê?
esperar o quê?
quando
como
se tudo o que está dentro
vazio está como um corpo
morto
procurando vida
procura-se
outra vez a mesma coisa
outra vida
que comece tudo de novo
com outra
história
surpresa
ou emoção
ou quem sabe apenas
um
talvez?
December 01 SOBRE CONHECIMENTO E CASTIDADE...
"Ser casto é conhecer todas as possibilidades sem se perder nelas." je vous salue, marie
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