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    February 17

    SOBRE MEIOS E CÍRCULOS...

     

    "entre o fim do começo e o começo
    do fim toda coisa tem uma massa
    inerte feito ponte pela qual
    passamos distraídos – ou não:
    os astecas sentiam chegar o exato
    momento do meio da vida – o meio
    do meio da vida, o momento em que
    o que já vivemos é exatamente
    igual ao que ainda não vivemos
    – e nesse momento preciso o mais
    comum dos astecas sentia uma súbita
    e inexplicável vontade de tomar um trem
    mas como ainda não o tinham inventado
    ele acabava por entristecer-se
    (daí a tristeza, essa vontade de algo
    que ainda não inventaram)"
    o meio de todas as coisas - GREGORIO DUVIVIER

    (A Partir de amanhã eu juro que a vida vai ser agora, 7Letras, 2008)

     

     

     

      coisas que giram

    e andam em círculos

    e os círculos dentro dos circuitos 

    das voltas que o mundo dá

     

    (entendem-se as voltas e os recomeços

    e todas as outras coisas

    que andam juntas e agarradas)

     

    a vantagem dessas coisas circulares

    é que elas não tem lados

    e sempre se pode segurar

    em qualquer ponto do trajeto

     

    entendo melhor

    a vida em círculos

    do que viver pelos quadrados

    chorando

    pelos

    cantos

     

    February 06

    SOBRE A NATUREZA DA ARTE...

     

    “Mas ainda mais raro, particularmente na época moderna,

    é quando um artista é capaz de penetrar-se na profundidade dos objetos,

    bem como na profundidade de sua própria mente,

    a fim de produzir em suas obras não apenas algo que faz efeito de maneira leve e superficial,

    mas, em competição com a natureza, algo de espiritualmente orgânico,

    de modo que possa dar à sua obra de arte tal conteúdo,

    tal forma que faça com que a obra pareça ao mesmo tempo natural e além do natural.”

    Propileus* – introdução, S.W. Goethe

     

     

                                                                                                                                                  www.castro-o.blogspot.com

    respostas

    da natureza

    que os homens

    deveriam

    ter:

     

    a natureza nunca é enferma

    - simplesmente morre -

    a natureza ao contrário dos homens

    não adoece.

     

    o que é natural tem

    flexibilidade

    movimento

    e adaptação.

     

    February 05

    SOBRE MUDANÇAS E DESEJOS...

     

    "As mudanças virão e serão profundas", me diz minha amiga Alice Ruiz,

    que conhece os trânsitos astrológicos, coisa que eu não manjo bulhufas.

    "Tenha paciência, aguente o tranco. E dê um sorriso, ainda que amarelo".

    "É tudo o que eu preciso.Voltar a ser mais moleque, como eu era antes", respondo.

    "A poesia agradece", me diz Alice.”

    http://zonabranca.blog.uol.com.br

     

     

    A FALTA QUE UMA FLOR ME FAZ 

     

    não quero mais pingüins na imaginação

    nem eternos verões a pino

    não quero passar vergonha em fila de banco

    nem ficar branco de susto dentro do cinema

    e engasgar com a pipoca

    que anda um absurdo de tão cara

    (já viu o preço do refrigerante de zero caloria?)

    não quero mais ouvir falar em crise

    e procurar saber porque há tanta falta de flores

    nas floriculturas aqui perto de casa

    (há falta de flores em todo lugar nessas urbanidades)

    não quero mais ter que pensar em dinheiro

    fazendo os cálculos já para o mês seguinte

    não quero ter muito requinte, mas também não quero ficar sem algumas preciosidades: o tato e a boca querem conforto vezenquando.

     

    não quero ficar sem meus livros

    não quero perder algo sem aviso

    não quero ficar sozinho

    não quero brigar com meu vizinho

    quero uma vida em paz

    e um dia ainda se eu puder

    quero é poder viver bem tranqüilo com os pingüins,

    os verões, os bancos de praça ou não,

    os cinemas, a pipoca, o refrigerante de caloria zero,

    as minhas crises e outras, as flores e as floriculturas,

    o dinheiro e os cálculos, os poucos requintes e as preciosidades,

    os livros, os avisos, os vizinhos, a solidão,

    o tato e a boca fechada porque já falei e escrevi muito.

    tenham um bom dia e passar bem.

     

    February 02

    SOBRE AS SENSAÇÕES DESUMANAS...

     

    “apagar-me

    diluir-me

    desmanchar-me

    até que depois

    de mim

    de nós

    de tudo

    não reste mais

    que o charme”

    Paulo Leminski

     

     

    eu vivo com uma sensação

    uma espécie de ódio

    mas é um ódio

    que não mata

    nem cura