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    April 28

    SOBRE ÁGUA, MEDO E VÍDEO...

     
    Nenhum poema escrito
    por quem bebe água
    pode durar para sempre.
                                                Horácio

     
    INTRO_VÍDEO
     
    onde eu me conectei
    não sei de que raios de fios eu vim
    ou onde vou parar
    ou onde vou deixar as minhas conclusões e
    escrever histórias
     
    semnuncasaberondevãoparar
     
    eu tenho medo de não saber onde vão acabar meus sentimentos
    e os sentidos sempre estão a ver navios
    a ver telas e ver vídeos
    onde eu nunca estou ali
    ou lá
    ou em nenhum lugar
    agora só sei de um lugar onde agora estou
    de verdade
    aqui dentro
    guardado
    o vídeo
    que vejo
    de 
    mim
     
    (um escuro
    em tela
    que penso ser eu)
     
    April 27

    SOBRE OS PROBLEMAS DA CRIAÇÃO...

      
    "O que ficou de tudo?... ficou o desejo rebelde de pegar o microfone e dizer.
    Dizer em segundos tudo que amarrei por quarenta anos no coração.
    Mas... o que mesmo eu teria a dizer?!... não sei.
    Só sei que isso tem que ser feito o mais rápido que eu puder,
    pois são palavras que não cansam de se agitar na carne e no espírito."
    Jussara Trindade
     
                                                                                                                             visions
    buscando as
    palavras
    certas:
    interesse
    desejo
    vontade
    legado -
     
    agora 
    os bons poemas
    fogem
                                                                                                                    
     
    April 26

    SOBRE O QUE É REPETIR E RECRIAR...

      
    "...não importam as repetições – simplesmente não acostumam.
    A idéia gasta e inédita de que menos importante é o número de vezes,
    porque sempre é a primeira, afinal.
    Uma idéia tão imaculadamente usada nas bordas.
    Tudo no lugar, dia ímpar de mês par - mas nunca pronto."
     
     
    NOVO?
     
    pouco tempo para criar
    muito tempo para
    fazer
    quando se cria
    alguma coisa significar
    para isso
    ainda é preciso
    de muito tempo
    amadurecer
    o que se é criado
    é coisa
    de crescimento
    uma quase semente
    presa
    no tempo
    um dia
    espera
    a êxtase
    da re
    criação
    pois em cada olho
    nasce
    uma semente
    diferente
    quando
    se lê.
     
    e o texto brota... 
     

    SOBRE O PRETO & BRANCO & AS SOMBRAS...

     
    "Demorou uma hora para atravessar a porta;
    uma semana para escolher a melhor palavra;
    dois segundos para tropeçar em outra;
    três dias inteiros vendo o susto tomando o estômago;
    quatro anos tentando entender;
    cinco minutos para deixar pra lá;
    um instante para voltar a se importar...
    fosse como um susto, ou como qualquer sentimento já acostumado."
     
                                                                                                                                                                             solto n'água
     
    "Dentro de mim mora um grito.
    De noite, ele sai com suas garras, à caça
    de algo para amar."
    Sylvia Plath
     
                                                                                                                                        cão & gato
     

    SOBRE UM ASSUNTO DELICADO...

     
    "O mundo é semi-réptil, repetitivo e cáustico.
    Quando a criança se agacha, pega Deus com os olhos e chacoalha o seu destino de porco.
    E Deus nem se importa.
    A inocência mata.
    Herberto Hélder diz que é a delicadeza.
    Na casa sem portas, Deus está num andor vendo os homens incensando o seu poder de Pai.
    O mundo é mesmo insensato e absurdo.
    Arquiteto de tudo, Deus inventou o homem: uma tarântula movida pela fome."
    Araripe Coutinho 
      
     
                                                                                                     funeral (see video)
     
    e era criança,
    diziam:
    asa de borboleta no olho
    cega.

    e via borboleta
    de olho fechado
    e via muita coisa de olho fechado
    e com olho aberto
    formiga
    e as outras coisas todas pequenas

    o que fazia bem mesmo
    era esquecer

    lambendo
    a casca
    dos insetos
    lambendo
    a casca do significado
    do machucado
    da casca
    das coisas
    pequenas
     
    formiga faz feitiço
    no olho
    e cria coisas
    mínimas
    imensas
    como o olhar do pouco
    tirando
    muito
    de tudo
     
     

    SOBRE ACORDOS, POESIAS & CORDAS...

     
    Contenção?
    Não há mais como conter, transbordante sentimento que derrama e você assiste.
    A luz que não ilumina o acinzentado de uma vida urbana que declina.
    Admirável movimento e não há mais o que fazer a não ser olhar.
     
    Antena Mundi
    Reagimos a forças de fora e de dentro a todo momento,
    planejamos, marcamos um X no futuro, naquilo que especulamos e idealizamos.
    Mas então nos vemos dentro do maravilhoso e aterrorizador fluxo, mas o que é isso? 
    O fluxo paradoxal de todo dia, na luta entre forças.
    Eu monto uma antena, a antena da fluxobilidade de forças.
    Ele não dita nada, é apenas um pedaço e você o encaixe... uma antena irradiado,
    fluxos de forças que atingem a sua estação e agora, o que fazer com esse sinal (forças)?
     
    Raízes Sem
    Algumas coisas devem ser fixadas, nem tudo pode ser móvel e mutante. Outras escavadas e soltas.
    A estabilidade é tão importante quanto à mudança.
    E até o fluxo, que a princípio é movimento prende-se em partes, pois se prender é também se movimentar.
     
    Fragilidade Sobre
    Momentos cartilaginosos que dobram facilmente para o lado que você menos pensava
    e quebra-se um osso no segundo que você nem viu passar. meses com gesso, tempo demais para recuperar
    ... e tudo pode ser maravilhoso ou uma merda num quebrar de ossos.
     
    Estrutura Móvel
    O fluxo também possui sua estrutura, que sustenta e cria movimento.
     
     
     
    INTRO/A TRAMA
     
    entender o que pode ser bom ruim ou necessário
    o demais sensível
    e todo o resto que é visível
    passível
    de ser
    melhor
     
    outside me:
    poesia
    árvore
    aquela coisa de planta, sabe?
    onde se coloca na terra o que não se sabe
    e de repente nasce muita coisa
    raiz, tronco, galho, flor e fruto
    brotamentos de palavras
    e outras coisas mais sensíveis e visíveis
    como disse,
    árvore antes
    palavras depois
    o que planta vivo vive
    o que se lê
    pronto
    escreve
    papel feito terra
    poesia feito árvore
    feito flor
    feito fruto
    feito por semente
    plantada firme
    em qualquer papel
    que nasce
    feito
    feito
    feito
    efeito
    palavra/flor
     
    inside me: 
    qual a coisa
    qual a coisa de tudo
    o que é que movimenta
    que faz o interesse
    ser mais que a vontade
    e o que move
    de verdade
    o desejo?
    não se sabe...
    o que se sente
    é o que se move
    o que flui
    através do sangue
    feito mágoa
    feito lágrima
    ou alegria
    o que move
    é livre
    e movimenta
    sustenta
    forma
    força
    os fatos
    e as falhas
    da vida
     
    whatever me:
    já faz um tempo
    que eu quero mudar
    alguns relógios
    que insistem
    em não andar
    o tempo pára
    sem me ajudar
    e o que incomoda
    é o tempo
    não passar
     
    April 25

    SOBRE OS ANJOS E AS CORES DIÁRIAS...

     
    Def. Daemon -
    Seu uso mais antigo parece ter sido na expressão "daimon de Sócrates",
    que significava seu "espírito-guia interior; seu gênio",
    também um equivalente pré-cristãode "anjo da guarda",
    ou, alternativamente, um semideus (tendo apenas uma
    conexão etimológica com a palavra "demônio").
     
                                                                   http://www.flickr.com/photos/gabriel_srod
    CORES_ANOS
     
    cores de meses
    abril, maio, junho
    as flores de maio
    as águas de março
    as cores de frevo
    em fevereiro
    em julho
    o branco nos bancos
    das praças
    geadas quase mais
    nada não se vê
    por aqui
    os agostos cinzas
    como de costume
    outubros vermelhos
    e abril em azul...
     
    alguns meses em cores 
    à livre escolha
    e assim livre é que
    se colorem os anos
     
    algumas cores também que se foram
    e outras novas surgindo
    o mundo tem cores novas
    todo dia
    algumas que ficam
    outras que vão
    sumindo...
     

    SOBRE VER O NOVO EM VOLTAS...

     
    "Textos sobre aquilo que seriam os momentos em que nos deparamos com o novo.
    Primeiro a histeria, depois a angústia e depois a tranqüilidade
    nesta última você está suficientemente maduro para aproveitá-lo:
     
    O novo é agudo
    A vibração da diferença
    è histérico no primeiro contato
    A vida não é calma
     
    O novo é agudo
    e espeta
    a angústia de não saber
    O novo se foi
     
    O novo é agudo
    é preciso coragem
    encher a boca da vibração
    e fazer o mesmo
    de diferentes formas"
    O NOVO É AGUDO - http://www.rafaelnobre.com
     
     
                                                                                                        http://www.flickr.com/photos/gabriel_srod
    IN VOLTA
     
    Uma síntese
    um círculo
    um momento agora
    o que se foi
    o que será
    so se saberá
    quando for
    quando acontecer
    não será mais novo
    será ido
    tido
    acabado
    até que o próximo novo
    seja convidado
    a aparecer
    e renovar
    o tido
    o tudo
    de novo.
     

    SOBRE AS PEDRAS E OS DESEJOS LIVRES....

     
    "É mineral o papel
    onde escrever
    o verso; o verso
    que é possível não fazer.

    São minerais
    as flores e as plantas,
    as frutas, os bichos
    quando em estado de palavra.
     
    É mineral
    a linha do horizonte,
    nossos nomes, essas coisas
    feitas de palavras.
     
    É mineral, por fim,
    qualquer livro:
    que é mineral a palavra
    escrita, a fria natureza
    da palavra escrita."
    Trecho do poema - A PSICOLOGIA DA COMPOSIÇÃO - João Cabral de Melo Neto
     
                                                                                                                invert
      LIVRE
     
    I
     
    eu não falo coisas
    eu faço as contas
    de lugares e
    outras coisas
    que partem
    sob meus pés
     
    II
     
    posso precisar de intenções
    boas ou más
     
    III
     
    pessoas passam a vida
    tecendo cotidianos
    tentando criar
    alguma teia
    alguma beleza
    além
    dos sentidos
     
    April 23

    SOBRE OS FLUXOS E O SEXO INÚTIL...

     
    "Corredeira de sentimentos
    Emoções embaraçadas que atravessam o corpo sem pedir licença, chegam!
    E trazem a novidade, o impensável
    Susto, acaso, interjeição
    É algo que a compreensão não captura

    Fluxo sempre escapa
    Escorrega diante de qualquer tentativa de cristalização
    É chuva caindo, coração pulsando
    Fluxo é o quebrar dos sentidos

    É a vida nas entrelinhas, é discurso não sabido
    Fluxo é sentir sem saber bem o quê.
    Fluxo não espera
    É ansiedade sem destino

    Fluxo é luta contra a estagnação, é caminho que não chega
    Fluxo é criar, é o desejo de não se calar
    É lançar-se no escuro, na liberdade da expressão
    Fluxo é água que escorre entre os dedos

    Palavras inexatas que se esbarram na contramão... e explodem!
    Fluxo é ruído, rachadura, descontinuidade, ruptura
    Fluxo é jogo duro, descompasso
    Pressa na direção do caminho sem fim, do incompleto

    Fluxo é infinito extremamente particular
    Intimidade interpretada, personagem real
    Realidade estilhaçada"
    Fluxos - Carlos Alexandre de Oliveira Antonio
     
     
    FORA
     
     Festa de salivas
    e gosto de esperma
    abrupto
    concluo o gozo patético
    expiação de um não-amor
    por isso
    ao sexo-pelo-sexo
    prefiro
    a solitária
    poesia
    diária
     
    April 19

    SOBRE O QUE NÃO HÁ DE NOVO...

     
    "Minha vida é uma somatória de experiências possíveis."
    Julio Carvalho
     
     
     
    42X365
     
    aqui não nasce nada
    aqui jaz
    no papel
    tudo o que é ruim
    o mesmo branco de sempre
    onde nasci
    e muito rascunho foi feito
    hoje é o efeito
    de idades passadas
    à limpo
    sem volta
    saio do papel
    digito
    cíclico
    num abraço
    único
    comigo
     
    aniversários?
    é só mais um ano que passou
    meu
    amigo
     

    SOBRE AS POSSÍVEIS COMEMORAÇÕES...

     
    Se devíamos chorar quando os palhaços começam a folia,
    Se devíamos pinotear quando os músicos se põem a tocar,
    O tempo nada dirá mas eu o preveni.”
    (W.H Auden)

    na festa

    (que não houve)
    esgar de assopros
    incineram
    os fogos.
     
    apagado
    sorrio
    (de lado)
     
    fria a vela
    o desejo retorna ao estado
    de espera.
     
    E eu espero.
     
    E eu estou de parabéns.
    Embrulho - Eduardo Lacerda
     
     
    POR VONTADES
     
    Eu vivo a vida pelo avesso.
    Não gosto do sempre tudo igual.
    Prefiro o inverso dos anjos entre bondades.
    Aqui eu persisto mais um ano.
    Outra poesia brota e demarca minha terra.
    Estou possivelmente fértil de novo.
    Sou de sangue e ainda vivo.
    Permaneço encantado e com poucos segredos.
    Recolho meu rosto atrás do espelho.
    Procuro um plano de estrelas inteiras.
    Ainda quero ser constelação.
    Não quero mais ser um rosto só e
    desavisado num final de cena.
    Quero inícios.
    Quero ser habitado por dias mais felizes.
    Quero tratar das coisas vivas de dentro e de fora.
    Quero implodir do pulso ao passo.
    Quero as janelas abertas sem senhas e travas.
    Quero encontrar sempre a fluidez.
    Quero encontrar o movimento breve que significa muito.
    Quero abandonar o medo e o caos.
    Quero um pouco do bom das pessoas.
    Só um pouco, porque todo muito enjoa.
    Quero afinar o tato e fazer um pacto num afinal feliz,
    antes que no meio do caminho não tenha mais ninguém.
    Quero mais espaço e menos castigo.
    Quero mais silêncios possíveis e sons impossíveis.
    Quero só estar mais solto comigo.
    Quero terminar sempre
    tudo bem
    e me dar parabéns.
     
    April 18

    SOBRE OS SONS E O SONO...

     
    "A diferença
    entre
    o blá-blá-blá
    e o bê-a-bá
    está
    em como se usam
    as palavras."
    Julio Carvalho
     
     
                                                                                                                  o não-ser humano

    DE SONS E SONO...

     
    con
    viver
    é difícil
    quando não se tem
    espaço
    e lugar
    certo
    nem o
    silêncio
    é mais possível
     
    o barulho do banheiro
    ao lado
    não deixa
    nem
    ouvir
    o que os pensamentos
    dizem:
     
    aroupalavadatodahora
    descargaàscincodamanhã
    aportarangendodentrodacabeça
     
    sons demais
    sem sono
    e o sono dependendo dos outros sons
    só dorme
    quando não tem
    barulho
    perto
     
    enquanto isso
     
    paciência...
     

    SOBRE INTERIORES E EXTERIORES...

     
    "Porque não dorme e precisa urgentemente
    de dessedentar os nervos, entra no café
    e pede um pouco de amor. Ninguém estranha
    o pedido. Servem-lho quente, com açúcar
    e colher, para que ao mexê-lo envolva
    a dor no fio de aroma que os experts
    bem conhecem, sobretudo os que medem
    as oscilações entre espasmos e aforismos.
    Espera. E sente, a cada minuto, o trabalho
    alquímico que o seu coração debita,
    onde, ao chumbo, se junta o doce e viscoso
    líquido que a uns dá tudo e a outros
    enche de angústia. Recorda. Pensa. Fuma.
    Adormece. Que sono profundo. Shh, não
    façam barulho. Suspendamos o juízo.
    A vida tem momentos assim, saturados
    de ouro e cafeína."

    INTERIOR - Carlos Bessa
     
                                                                                                           "in"  exteriores
     

    SOBRE DATAS E SOBRESSALTOS...

     
    "Ay, este azul
    Que les quiero contar como fue
    Por momentos se queda en mi piel
    Ilustrándome el paisaje aquel.

    Ay, este azul
    Golondrina que vuelve otra vez
    Musicando mi zaguán de ayer
    A esperarme de barco en la sed.

    Ay, este azul
    Provinciano se quiebra en mi voz
    Como antigua vidala en adiós
    Como un breve puñado de sol.

    Ay, este azul
    Ay, este azul

    Ay, este azul
    Que ha llegado a iniciarme en la luz
    Con campanas de asombro tal vez
    Habitando lo que nunca fue.

    Ay, este azul, este azul
    Es un verde también
    Resolana brillando en el pez
    Con un silbo enredado en la piel.

    Ay, este azul
    Solo quiere quedarse en mi voz
    Como un duende mojándome
    Y en vez
    Este azul es un niño tal vez."
    Ay este azul (Pancho Cabral)
     
     
    DEZENOVECENTOS
     
    os retrocessos
    no dia "D"
    terminados
    os anos em quarenta e dois tempos
    e alguns casos contados e mal arrumados
    uma coisa atrás da outra
    na cabeça tudo muito misturado
    em um monte de lembranças
    longas
    sem eira, nem cheira
    nem fede
    toda a história
    parece
    sólida
    quando se olha de cima
    entre o começo e o fim
    tenta-se sempre colocar
    alguma beleza
    nas coisas.
     
    (coisa que o tempo já faz tornar mais difícil)
     
                              19
         ...e a resposta num salto só 
     
    April 16

    SOBRE UM POEMA E UMA COMPARAÇÃO...

     
    "fazer poesia é uma forma
    de jardinagem:

    manipular as plantas,
    as coisas vivas.

    umas fenecem,

    outras surpreendem-nos
    ao acordar,

    pela carne
    que discretamente
    desenvolveram
    durante a noite,

    pelo tacto de veludo,
    pela luz que parece
    vir do seu centro.

    às vezes, há uma flor que pende
    no meu escritório,
    e eu diria perdida.

    e subitamente, a mesma flor
    ressurge
    no canteiro da varanda,
    no lado oposto da casa.

    fazer é polinizar,
    provocar efeitos,

    mas nunca se sabe
    para que tempo,
    nem a que distância."

                    vitor oliveira jorge
     
     
     
    Olha
    encontro com minha psicóloga
    quando realmente preciso
    ou quando só quero desabafar
    coisas
    nada a ver
     
    Olha
    como é desabafar
    coisas
    nada a ver?
     
    Olha 
    os pcs não tem coisas
    que não precisam estar neles
    e em algumas horas é preciso que seja
    feita uma limpeza de disco
    aí se junta tudo para eliminar os buracos
     
    Olha
    é a mesma coisa
    eu falo tudo o que está me enchendo
    e que não tem nada a ver
    e que eu não precise
    então fico mais leve
     
    digamos assim
     
    Olha
    Olha
    Olha...
     
    April 12

    SOBRE A CULTURA E OUTRAS ILUSÕES...

     
    "Cultura não é aquilo que entra pelos olhos, é o que modifica o seu olhar."
    revista CULT
     
                                                                                                                                              dream by dream
     
    "Fazer as coisas pela metade 
    é minha maneira de terminá-las."
     
    April 11

    SOBRE ONDE ESTÁ O LUGAR...

     
    "A palavra que explica, porém, ausenta-se da boca."
    Rosane Preciosa
     
                                                                                     never, never
     ONDE É LAR?
     
    Não é casa
    se nunca teve lar
     
    Não é casa
    se nunca teve lugar
     
    Onde se fica mesmo
    - de verdade -
    é o espaço compreendido
    entre a paz em ser
    e a calma do estar
    ali
    diariamente.
     

    SOBRE O BELO E OS AMORES MODERNOS...

     
    “O Belo dirige-se principalmente à visão; mas também há uma beleza para a
    audição, como em certas combinações de palavras e na música de toda espécie,
    pois a melodia e os ritmos são belos. As mentes que se elevam para além do
    reino dos sentidos encontram uma beleza na conduta de vida: em atos,
    caráteres, bem como a encontram nas ciências e nas virtudes.
    Há uma beleza anterior a essa?”
    SOBRE O BELO – Tratados das Enéadas - Plotino – Trad. de Américo Sommerman
     
     
                                                                                                                      thinking about one video

    novos amores modernos

    o amor
    a dois, duas
    ou quantos forem os amores
    e de quê
    ou como
    forem formadas as duplas,
    é lindo!

    SOBRE OS CUIDADOS COM A SEDUÇÃO...

     
     “(…) Nascer não é antes, não é ficar a ver navios.
    Nascer é depois, é nadar após se afundar e afogar.”

    Wally Salomão
     
                                                                                                                                      caution
     
    SEDUÇÃO

    Vivemos em celas
    de cristal,
    dentro de
    colméias de ar!
    Beijamo-nos através
    de espelhos.
    Cárcere maravilhoso
    cuja porta
    é a boca da noite.
    O sentido é a lua.
    Depois é só a luz
    aguardar o dia.
    O sol.
    E tudo seduz de novo.
    Na luz.
     
    Adaptado e extendido de poema de Federico Garcia Lorca