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    May 15

    SOBRE AS SENSAÇÕES POÉTICAS...

     
    "Onde há uma sensação maior
    não há necessidade de palavra
    nenhuma."
    Julio Carvalho
     
     
    se tem um poema em pé
    leia-o
    acorde-o
    antes que se deite
    antes que se canse
    pois poesia
    tem descanso
    quando não lida
    a palavra em transe
    dorme
     
    May 13

    SOBRE A NOVA INFÂNCIA E OUTROS CONSELHOS...

     
    "Conselho:
    guarde seus brinquedos na caixa
    senão o vôo dos seus sonhos
    não vira pipa no céu."
    Julio Carvalho
     

     
    NOVA INFÂNCIA
     
    não se brinca mais como antes
    o velho pião
    enforcou-se na sua corda
    e o triciclo foi parar
    atrás da porta
     
    bonecas antigas
    esgarçadas
    caídas sobre bolinhas de gude
    descoradas
     
    hoje o que resta é um porão
    de coisas antigas guardadas
    e instantes distantes
    da infância dos olhos tirada
     

    SOBRE TRÂNSITO E VELOCIDADE...

     
    "inimigos um frente ao outro
    ) carros em veloz beijo brutal (
    somente se despem
    tão logo se calam"
    enquanto 10
     
     
    sentido:
    auto escola
    auto escolha
    não sei dirigir
    então sigo
    em qualquer
    direção
     
    controvérsias:
    da última vez
    que entrei numa
    rua de mão única
    era uma via
    de contramão.
     
    fato car(r)o:
    carros não causam medo
    parados
    pessoas dentro de carros
    em movimento
    causam um medo
    danado.
     

    SOBRE OS OUTROS E UM JOGO...

     
    "a relação das coisas é antiga.
    primeira e sempre a relação com as coisas
    não se sabe
    e nasce
    fechamento.
    vida
    violentamente delicada.

    a velocidade da poeira sob o sol rebatia nos rostos
    e não queria fazer nada
    não poderia fazer nada.

    há um único modo
    outros modos.
    calo e saio
    primeiro
    último
    sempre
    abertura
    noite.

    pois o canto são dos outros
    o canto deles menor do que o meu."
    enquanto 9 -
    http://algaravaria.blogspot.com
     
     
     
    XADREZ 
     
    64 casas
    cada movimento conhecido
    desde a infância
    acompanhados por olhos curiosos
    de lembranças
     
    64 casas
    um pouco mais de vida
    agora
    e já se conhecem os movimentos
    cada peça um instrumento
    um passo, uma saída
     
    64 casas
    já se conhecem então todos
    os passos
    em cada lance, um avanço
    ou o encontro com o
    fracasso
     
    64 casas
    e neste ponto já termina
    a causa ganha
    ou o empate
    e quase sempre no final do jogo
    existe o fim:
    xeque-mate.
     
    May 08

    SOBRE O LADO DE FORA DO MUNDO...

     

    “Não sou otimista nem pessimista.
    Acho os primeiros ingênuos e os segundos, amargos.”
    ARIANO SUASSUNA
     
     
    SÉRIE OUTDOORS
     
                                                                                                            outdoor one
     
                                                                                                           outdoor two
     
                                                                                                          outdoor three
     
    May 03

    SOBRE SEI LÁ MAIS O QUÊ, PORQUÊ, QUANDO, COMO...

     
    "Num Festival de Poesia um poeta laureado recita um poema
    sobre a famosa história de São Kevin e o melro,
    que conta como o Santo, por reverência para com a Natureza,
    sacrificou a sua vida por um pássaro que pousou na sua mão direita, aí fez o seu ninho,
    pôs os seus ovos e criou os seus filhotes.
    Quando por fim todos levantaram vôo, com o seu braço já transformado num ramo
    em que a mão se tornara uma haste ressequida, o Santo morre.
    O seu papel de suporte de vida tinha terminado.
    Escrevo isto e olho para o meu braço.
    Na pontas dos dedos da minha mão direita vejo a caneta com que escrevo.
    É este o meu suporte de vida?
    Os meus poemas saem dos meus dedos, vão para longe de mim e não voltam."
    Ana Hatherly, "463 Tisanas"
     
     
                                                                                                        Irene Fay - His Shirt
     
     DOR_MENTES
     
    I.
    não tive infância
    nenhuma
    porque não me lembro mesmo dela
     
    não tive infância
    porque não posso falar do que não lembro
    então o que eu não lembro
    portanto
    então
    não é meu
    e eu não
    vivi.
     
    em algumas memórias
    eu não estive.
     
    II.
    não acredito mais nas pessoas
    só acredito nas palavras
    acho que é por isso que
    escrevo
     
    escrevo
    por alguma coisa de frustração
    em tudo o que já acreditei
    e não consegui
    então a palavra é o que me resta
    e não trai
    meu esperado.
     
    III.
    não penso em nada mais sensível que uma palavra
    que um movimento
    ou uma cor
    ou outras formas de se importar
    com as coisas
    do mesmo jeito
    que antes
     
    só que mudando
    a direção
    do olhar.
     
    IV.
    o budismo prega o “não apego”
    o catolicismo a redenção
    e eu aqui pensando
    amargurando
    solidão
     
    agora mesmo
    é que nenhuma crença
    se encaixa
    aqui (de novo!)
    no meu
    silêncio.