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June 30 SOBRE VERDADES E MENTIRAS..."fuce. mais. encontre o estrume. o estilo.
fuce poeta. atrás -por trás - da palavra. ela vai dizer que não quer. que é moça. fuce. force. não fale a verdade: fale: salvação. escória. ventre. talvez ela olhe e mostre a língua. ou o lábio encarnado enganando a boca. ou contorça-se em mesóclise. talvez. não fuja. enfrente. gadunhe com febre. a palavra falseia mas gosta dos cantos. das entraduras sem que ela peça. vá. cresça dentro da palavra. esqueça vergonha menoridade castigo. faça seu dever de porco. de macho." quase um sonetinho terroso - Rubens da Cunha
![]() fim dos casos
quase toda a verdade veio a tona
desafogada
muita gente veio ver
virando noites e noites
em viagens e voltas atrás dos fatos
a água lhe saia pelos ouvidos e livros e livros e livres
eram vendidos tentando explicá-la
não houve apuração de nada
nada se confirmou e nem nada se soube
talvez fosse só mais uma mentira
desaforada
June 27 SOBRE OS DIAS FRIOS...
"Foi por meio da poesia que você conseguiu respeito? Eu conquistei o desrespeito, que é uma forma de respeito ainda maior. Um poeta que se dá bem com todo mundo está fazendo uma outra coisa que não poesia. Ele deveria estar trabalhando no Itamaraty. Porque você está num ato de franqueza e transparência inadmissíveis. Tem de ter uma crueldade consigo para não ser cruel com os outros. Você tem de ser prodígio de seus defeitos. Você acha que isso aproxima a poesia das pessoas, pela identificação? Pela humanidade. Gosto muito de uma frase de Nelson Rodrigues, “toda grandeza desumaniza”. A gente tem que encolher. Nosso corpo encolhe ao longo da vida de propósito. A gente tem que aprender a dar espaço." Do escritor Fabricio Carpinejar em entrevista a Carlota Cafiero
não vou fazer nada
hoje
o frio enclausura todo pensamento
ficar em casa com chocolate quente
escrevendo
e inspirar um pouco
faz tempo que não escrevo nada
senão perco a mão
o jeito
o pé
a cabeça
o pescoço
o corpo
eu me perco todo se não escrevo
eu viro lâminas
eu corto
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