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July 30 SOBRE O AMOR MELHOR...
“Amar a arte é a única forma de amor que não deixa você passar vergonha” Marcel Duchamp
AMOR MELHOR
July 28 SOBRE OS MUNDOS ABSURDOS...
"Você tinha planos. Olha onde isso te levou. Eu fiz o que eu faço de melhor: virei seu plano do avesso. Olha o que eu fiz com essa cidade só com alguns galões de gasolina e algumas balas. Ninguém entra em pânico quando a pessoa que eles esperam que morra, morre. Ninguém entra em pânico quando as coisas vão de acordo com o plano, mesmo que o plano seja horrível... Introduza um pouco de anarquia e você destrói a ordem estabelecida e tudo vira um caos. Eu sou um agente do caos." The Jocker in Batman - O Cavalheiro das Trevas
poema visual de julio carvalho
DE TÃO ABSURDO
eu vi sapos flutuando num espelho
e as pessoas atacando moscas nas ruas
tudo isso entre becos obtusos
e várias chuvas de almas torrenciais
e atualmente é só o que se come nos restaurantes
são as baratas e comida barata
e antes que tudo venha abaixo
e abaixo de mim o chão desapareça em arcos
e minha íris escureça olhando o horizonte
eu não quero
nada além nada além
da verdade suponho ter algo pra falar
mas que nada muda
mudo é que a boca pede um surdo silêncio de escamas sórdidas
e obedecem
e acatam os narizes arfantes ofegantes cheirando algo errado logo ali perto
e os sapos e as moscas de nada adiantam
se uns voam
outros pulam-coaxam
e não chegam a lugar nenhum
como alguns absurdos
que eu vejo nesses lugares públicos
sujos lugares pudicos
lúgubres lugares sombrios comuns
é que tudo sobra entre esses sapos e moscas
e não se come absolutamente
nada
e sempre se sobra tempo
pra mais um cafezinho
July 27 SOBRE AS SOMBRAS DE DÚVIDAS...
"enquanto sigo sombras na janela o sol por trás in porta luz" julio carvalho
SOBREDÚVIDA
o que eu faço quando em tudo é sempre essa espécie de paixão esse todo intenso esse desmoronamento essa coisa entre pessoas entre lugares entremeios essas pontes esses passos lentos entre as emoções entre os abraços entre os flashes de luz e as fotografias e a luz e a luz por detrás dos olhos a luz nos encontros entre os encontros e os espelhos e os outros espelhos iguais os olhos iguais os outros iguais e as gratas palavras gravadas entre os olhos entre olhares entre vi entrei e vi entre nós dentro até o ventre muito dentro muito dentro mesmo tudo muito denso essa espécie de tudo intenso imenso desfalecimento e quase tudo em mim aqui dentro cai
lento...
July 23 SOBRE AS BOAS CURAS E AS PURAS CRÍTICAS..."- Não se resolve nada com violência - disse o filósofo ao kickboxer, segundos antes de apertar o gatilho.
- Eu sei - respondeu o kickboxer ao se desvencilhar do revólver e quebrar a espinha do filósofo em dois lugares. " ![]() DEFEITOS ESCOLHIDOS A DEDO
críticas bem quistas sobre os livros "Afeganistão" e "Cura" de Enzo Potel
eu recebi seus livros sem rimas e com cascos e o pouco que li costurei com os olhos e fiquei a ver tecidos com as suas palavras sobre a minha cama surpreso li devorando tudo e gostei muito e tenho que tirar o chapéu e arriar as calças mas não pense você que eu vou ficar de costas assim tão fácil e caminhando continuo que o livro é de uma belíssima tristeza de se jogar sujeira no ralo estava eu e meu amigo olhando o livro e ele disse provavelmente que alguém sem pai e sem mãe ou com pai e sem mãe ou com mãe e sem pai ou com ambos mas sempre só que o fez as palavras pelo meio do livro tecnicamente diferentemente bem escritas brincando com as palavras muitas vezes sobre o muro da ironia fazem no livro muita diferença mas quase o tempo todo se percebe a falta de um brilho de uma alegria que nem sei bem se é proposital se mostrar que a vida é ruim assim mesmo ou a realidade é algo a ser endurecida nas palavras tanto quanto você faz como quando escreve? o Afeganistão é algo bem longe daqui e parece que cura para as suas palavras também não há elogios serenatas ou nada mais que isso se for exatamente isso que você quis dizer está muito bem dito mas por mim fica mal lido porque ainda leio os homens de ponta cabeça com as pontas afiadas para baixo e em bainhas um livro recheado de fotos de crianças tristes distantes sofridas escondidas em paisagens belas distantes afegãs e em algumas vezes você faz coisas como eu faço coisas mas fazemos coisas poeticamente diferentes brincando com as mesmas palavras o livro passa sempre pelas coisas tristes imagens tristes das coisas tristes passa pelo que não se perdoa a cidade suja a amizade ruim a falsa cordialidade a liberdade do não nada contra demonstrar o lado ruim das coisas seres e o livro faz muito bem isso poeticamente liricamente textualmente mas eu vi tristeza o tempo todo no livro todo belíssima tristeza mas não é de triste chorar é choro de raiva amarga de quem escreveu desse jeito lido do livro eu gostei mas entre a escolha do livro e da alegria a segunda ficaria melhor entre você e as suas palavras penso eu
ps não tem ponto virgula nem nada porque senti tudo fluir assim sem nada e ponto e tudo aqui é proposital sim do começo ao fim
SOBRE EXCESSOS, FALTAS E INCIDENTES..."É, meu amigo Charlie. Era um garoto que amava Blur e Radiohead. Foi lutar pela pátria. Com soldados armados, amados ou não.
Não há luar, ó gente, ó não, luar como esse do sertão que é o deserto.
No rancho do seu pai no Texas também era assim, ou quase.
Só não tinha esse bombardeio todo, esse calor desmesurado, essa sede.
E agora, Joseph? Minnesota não há mais.
Os cães de guerra ladram e a caravana passa. Tudo passa, tudo sempre passará.
A morte vem em ondas como as dunas.
E o mundo é apenas um retrato na parede. Mas como dói."
O Mito do Herói - Fábio Fernandes - http://archetipos.blogspot.com ![]() CEGUEIRA
estou a olhos-luz de distância de você
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REINCIDENTE CIDADE
o caso é relatado em http://vermelhocarne.blogspot.com do amigo Peterso Rissatti :
"Aceita un mamón, señor", essa foi a frase: estava eu e Júlio, do Deletrando, na avenida Paulista quando fomos abordados por um rapaz todo de branco, cabelos cortados à hare krishna, carinha de chileno e portunhol afiado. "Aceita un mamón, no paga nada, solo aceita". Com cara de paisagem e mamão na mão, olhei para o rapaz com uma imensa interrogação enterrada na cabeça. Eis que veio a confirmação da loucura: "pôdji me dar um abraço?". Com cara maior de espanto ainda abri os braços e, com o mamão na mão saí para um lado, ele para o outro. Eu para seguir meu caminho, munido com meu papaya verde e ele para uma caixa cheia de mamões. Ao redor da caixa pessoas com máquinas fotográficas, provavelmente para registrar as caras de idiotas das pessoas quando recebem um mamão numa noite fria, como a minha ficou. Por mais que me irrite, eu ainda adoro essa cidade.
July 16 SOBRE OS AMORES EXÓTICOS...
"Esperar um pouco menos Lamentar um pouco menos E amar um pouco mais" Marco Aurélio
VÊ NUS 2 VÊ NÓS 2 NUS
na noite sexo extra terrestre
July 10 SOBRE OS TALENTOS PRÓXIMOS...
“Fica comigo, não me deixa agora que não sei mais viver sem você! Não dá mais, você tanto tentou me mudar que fiquei defeituosa, preciso me recompor. Epílogo. Som da porta fechando. Não adiantaram as súplicas, o desespero, a perda de dignidade, sequer o patético pedido de perdão por não conseguir ser outro além desse pobre esboço de gente. Chorei até desidratar a alma. Não sei quanto tempo fiquei assim, largado, com pena de mim. Até que, de repente, notei um fio de luz teimoso atravessando a veneziana riscando no chão uma listra de sol. Era um aviso: a vida continuava lá fora. Dei por mim: há dias não comia, nem mudara a roupa, era um lixo remelento e fedido. Debaixo do chuveiro, me senti estranhamente diferente. Minha alma se fora com ela. Tinha que produzir outra. Quem sabe agora uma alma mais leve capaz de suportar todo o peso que é amar de verdade.” Uma vida em processo
"Mas era um beijo. Sôfrego. O adeus inesperado, jamais imaginado, rasgava a alma. Doía feito furo de faca sem fio. Razões amenas. Explicações flácidas. Fim dos dias de espera do encontro. Ânsia e plenitude. Ânsia e plenitude. Sempre. Segundos contados num rosário de coisas vividas a dois. Tantas histórias. Tanto riso partilhado, tantos sonhos repartidos. Línguas confundidas, corpos espremidos, embaralhados. Tanto sêmen dividido, absorvido, investido. Felicidade rara, farta, transbordante. Era muito. Chegava a engasgar. O braço tão conhecido me envolvia, o mesmo cheiro, o mesmo abraço apertado, o mesmo falo. E era despedida. Como não enlouquecer? Os olhos verdes imensos, tão amados, agora de um vermelho injetado de choro procuravam os meus e falavam ‘me diz, como vou acordar amanhã sem você na minha vida?’ E era interrogação. Mas não era ele quem queria partir? Desconcerto. Desconexo tudo. Partido o meu coração. Partido o dele. Amor concretizado, vivenciado, depois tirado de pinça, a pulso, jogado fora. Fazer o que? Não era hora de entender, nem rebelar, gritar, implorar. Era só de aceitar. Orgulho talvez de não implorar. E engolir a amargura. O choro virou soluço. Com o tempo, se cristalizou num pranto. Só restava seguir respirando, comendo e dormindo. Nunca mais vida. Boba pretensão de ser unidade outra vez. Ninguém compreenderia. Melhor negar, fingir e dissimular essa falta. Seguir vivendo os dias sem gosto, aquele gosto, o gosto dele. E até hoje quando me perguntam, esgarço os lábios num riso triste de palhaço, e repito sempre as mesmas palavras decoradas, ensaiadas: “Não tinha que ser. Não podia dar certo mesmo. Era amor demais. Era amor exagerado”. "
Judas
Recompor - foto by Julio Carvalho
SOBRE ESCREVER - ATO ÚNICO...
“Estou me sentindo mais esquisito que o normal hoje. Mas há esquisitice de tamanho normal? Qual é a medida do normal? Esquisito é normal ou anormal?” Julio Carvalho - (adaptado de http://www.deliriolilas.blogspot.com)
quando escrevo falo unicamente e solitariamente comigo mesmo: coloco tudo para fora como laço sem ponto e sem nó sem dó e depois jogo a âncora para alcançar o ponto final mais próximo na próxima página. July 09 SOBRE AS INSPIRAÇÕES ...
"Eu queria conhecer você e assim fazer você existir." Julio Carvalho
musa minha coisa longe ou perto ou em volta vê diferente e vê e faz e acontece e aparece de alguma coisa simples aparentemente outra
musa minha coisa paredes portas e objetos não são os mesmos uma mulher em mim inspira e é tudo outra a minha coisa
o que cria tudo isso musa muda
SOBRE FLORES, ELEVADORES E ENTENDEDORES...
“...ainda assim as pessoas têm medo de elevador. Aproximam-se, embaraçam-se, atropelam-se e se atrapalham para se proteger de uma pane, ou, pior, daquele fosso profundo que as espreita em todo condomínio, e que também pode ter um outro nome, o de solidão.” Marcelo Coelho ![]() conclusões
cá não palavras são o cão sem verbo fala aos quatro ventos quem diria virou frase e os que dizem não entender se esquecem que entender é coisa de entrelinhas
micro coisas minimalismos o mundo se enxuga sem usar uma toalha limpa
July 06 SOBRE UM POSSÍVEL PESADELO...
“O significante habita o silêncio.” Fernando José Karl
![]() ![]() ![]() Para o 5° Jogo das Doze Palavras em http://eremiterioblogspot.blogspot.com
Casulo, Conversa,Inferno, Inundar,Luar, Movimento,
ANTI-VERTICAL
Eu sei porque acordei de repente nesse casulo e a conversa lá fora não me importa em nada e eu quero mais que tudo se acabe nesse inferno que o mundo vive e que o céu vá inundar o luar na noite num movimento ausente de formas castrado parado e onde todo nefelibata tome conta de tudo e enlouqueça ameace e coloque no ostracismo toda cidade país continente planeta em órbita desaparecendo e formando um vapor inútil e de forma variável oposto encostado longe de tudo dessa confusão e eu todo o tempo deitado em posição de sonho - anti-vertical. July 04 SOBRE AS COISAS ESTRANHAS...
“Não se pode tocar em notas, ondas ou derrubar (sonetos)."
"Mas é difícil duvidar de alguém que sabe tocar... Duvidar de mãos. As mãos fazem você acreditar em qualquer coisa.” Givago Oliveira ![]() das mutações incontroláveis
eu uso óculos. mas queria ter três olhos: um castanho (o meu) um azul e um ultravioleta
e se seus olhos não dizem nada é porque ainda não abriram sua boca pra falar. SOBRE TUDO O QUE ESTÁ FECHADO...
“A tentação existe para não ser evitada”. Oscar Wilde
DIÁLOGOS INUSITADOS
“Meu sobrinho perguntou o que é que eu vou ser quando eu morrer.” Julio Carvalho
- então quando você morrer você vai ser uma mudança? Tipo assim: um caminhão de mudança? - de certa forma sim - eu quero ser uma van. uma van filosofia.
- você acha que a sociedade é metade cheia ou metade vazia? - eu acho que é 98% vazia. - e você?? - 2% cheia e eu sou uma besta porque ainda acredito nas pessoas...
- tudo vira prosa! ou poesia... - e se não vira prosa vira rima quando não combina (rimou!)
July 01 SOBRE O NASCIMENTO DO BEIJO..."Gerar é escuralenta forma in forme
gerar é força silenciosa firme
gerar é trabalho opaco:
só o nascimento grita." MAIÊUTICA* - Orides Fontela
*Maiêutica - Criada por Sócrates no século IV a.C., a maiêutica é o momento do "parto" intelectual da procura da verdade no interior do Homem. A auto-reflexão, expressa no nosce te ipsum - "conhece-te a ti mesmo" - põe o Homem na procura das verdades universais que são o caminho para a prática do bem e da virtude.A maiêutica é um método que consiste em "parir" idéias complexas a partir de perguntas simples e articuladas dentro dum contexto (assunto).
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