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    August 30

    SOBRE ENTRE OS MICROCONTOS DOS OUTROS...

     
     
    "Medo ou poesia
    Você escolhe a companhia"
     
    MICRO UM
     
     
                                                              Fonte: http://omuroeoutraspgs.blogspot.com
     
     
    MICROVÔO
     
    Era um velho de asas largas
    tinha voado muito alto já
    na vida
     
    naquela época
    era um tempo de pássaros
    de nuvens
    e céus abertos
     
    agora voa só
    nos muros
    pintados
    a tinta
    a óleo
     
    nas cidades
    sempre
    fica
    nos pontos
    de ônibus
    esperando
    seu
    último
    vôo.
     
     MICRO DOIS
     
    Microconto Dois
                                                              Fonte: http://omuroeoutraspgs.blogspot.com
     
     

    SOBRE AS CONCLUSÕES DE ALGUNS CASOS...

      
    De restos em nada
    em dois poemas só
    lidos
    em silêncio
     
     
    EM UM
     
     
    EM DOIS

     

    August 29

    SOBRE OS INTERVALOS E PARTES...

     

    "A gente chega perto do quase quando consegue metade. "

    Julio Carvalho

     

     
                                                                                                                                        by renato's house 
     

    INTERVALOS DE PELE

     

    Nas

    fissuras e

    nas dobras

    da tua pele

    encontrei

    onde

    está

    o

    significado

    da

    intimidade

    de

    você.

     

    Poucos

    olhos

    enxergam

    invisivelmente

    os sensíveis

    pêlos

    entre

    tuas palavras

    e sussurros

    leves.

     

    Acho que

    gostar

    não é só

    olhar:

    É dizer

    que você

    e sexo

    são

    tudo

    poesia.

     

    SOBRE O QUE SE VÊ E O QUE SE SENTE...

     
    What you see is what you see
    (“o que você vê é o que você vê ”)
    Frank Stella 

                                                                                                             Modern Couples - Montagem by Julio Carvalho
     
    PELE
     

    conheci uma intimidade
    que me desfez em mil pedaços

    onde mãos não se sabem onde se puseram

    onde os olhos tímidos demais

    escapam

    pele sobre pele sobreposta ao tempo

    todas as horas juntas

    no mesmo relógio

    desapontam

    despontam

    os sentidos

    em todos os sentidos

    em todos os lados

    em todas as coisas

    pelos cantos

    as roupas

    as peles nuas

    minhas e suas

    separadas

    em dois

    sentindo

    tudo

    em

    uma

     

    August 27

    SOBRE COMO OUVIR E O QUERER...

     

    Quando me toquei
    Que crescia pra dentro
    E de que nada valia a defesa
    Tudo em mim virou beira

    À borda de mim
    Qualquer alegria me chega
    Sem barreira
    Qualquer você que me ama
    Qualquer coisa que eu queira
    ..............
    Camila Rondon

     

     

    COMUNICÁVEIS

     

    Estranhamento:

    nos telefonemas

    a saudade

    é aceita

    como único refugio

    da sua voz

    distante.

     

    Espero:

    ainda

    tenho você por perto

    quando completo

    a ligação

     

    O telefone mudo

    ainda te escuto... 

    SOBRE ENCONTROS E ONDE ENCONTRO...

    "*
    Em todas as ruas te encontro
    Em todas as ruas te perco
    conheço tão bem o teu corpo
    sonhei tanto a tua figura
    que é de olhos fechados que eu ando
    a limitar a tua altura
    e bebo a água e sorvo o ar
    que te atravessou a cintura
    tanto, tão perto, tão real
    que o meu corpo se transfigura
    e toca o seu próprio elemento
    num corpo que já não é seu
    num rio que desapareceu
    onde um braço teu me procura
    *
    Em todas as ruas te encontro
    Em todas as ruas te perco
    *****"
    Em todas as ruas te encontro - Mário Cesariny

     

     

    MESMO POEMA COM FINAL FELIZ

    Ampliado de http://www.achuvaimovel.blogspot.com

     

    o olho não me olha enquanto fala

    o assunto é menos que a conversa em si

    era necessário
    depois da morte da conversa
    o toque no ombro pra dizer
    e então?

     

    onde vamos?

    na minha casa

    ou na sua? 

    August 25

    SOBRE OS MÍNIMOS...

     

    "Estar nas mãos do outro é um quase amor.

    O outro deixar ficar é amor de verdade."

    Julio Carvalho

     

     

     

    MINIMALISMOS

     

    mínimo

    gestual

    pouco

    alguma coisa tudo

    quando

    o todo é pouco

    e o pouco

    torna-se

    gesto

    mínimo

    em

    muito

     

     

    August 21

    SOBRE CORTES E ALGUM CONHECIMENTO...

     

    "O melhor jeito que achei para me conhecer foi fazendo o contrário."

    Manoel de Barros

     

     

     

    FIO

    (ao som de Partisan Song – Alpinestars)

     

    Tem alguma coisa me atravessando

    faca

    lâmina

    ou falta de atenção

     

    As coisas demoram

    e algumas paciências

    ficam perdidas

    em cada vez

    que desaponto

     

    Na beirada desse corte

    eu fico

    esperando

    alguém

    me

    cicatrizar... 

    August 20

    SOBRE A ARTE E SUA DEFINIÇÃO....

     
    "Faz-me o favor de não dizer absolutamente nada!
    Supor o que dirá
    Tua boca velada
    É ouvir-te já.
    *
    É ouvir-te melhor
    Do que o dirias.
    O que és nao vem à flor
    Das caras e dos dias.
    *
    Tu és melhor -- muito melhor!
    Do que tu. Não digas nada. Sê
    Alma do corpo nu
    Que do espelho se vê."
    Faz-me o favor - Mário Cesariny
     
        
                                                                                                                                                

     
    QUADRO
     
    De perto
    alguém disse
    é arte
     
    de longe
    alguém sentiu
    cada parte
     
    um quadro
    de cada ponto de vista
    um mundo
    se
    re
    parte.
     

    August 17

    SOBRE AS DÚVIDAS DA VIDA...

     

     
    "* Vibra o vermelho cor de carne
    aos olhos em chamas do amor que partiu,
    da paixão que virá.
    Vem carmim dos lábios,
    vem rubra face
    ao vento frio de São Paulo.
    Queima devagar, fraca carne,
    consumida pelo desejo.
    Vermelho Carne é o que vejo
    daqui para a eternidade."

    http://vermelhocarne.blogspot.com

     

     

    DA VIDA  

    Luciano Rocha Alves e Julio Carvalho 

     

    Quando a hora chegar,

    alguém dirá coisas vazias -

    Não ouça!

    Apenas amarre com força seu cadarço:

    eles proclamarão os flagelos

    da vida

    e tudo isso se dissolverá no ar

    quando você começar a transpirar

    afastando-se lentamente dos burburinhos

    da vida.

    Dúvidas?

    O tempo se encarregará dos coadjuvantes

    que ficarão a imaginar

    as possibilidades de outras histórias

    da vida

    Enquanto os escravos contam as baixas

    e amontoam os mortos

    você dispara:

    sem dúvida

     

    Não pare!

     

     

    August 14

    SOBRE LETRA E MÚSICA E A PERFEIÇÃO...

     

    "O tempo não cura ferida

    Não limpa o passado

    Não traz de volta

    Uma vida

    Um amor

    Momentos e escolhas arrependidas

    É hora de dizer adeus e deixar de lado o que se passa

    Seu olhar valeu mais do que palavras

    Eu não olhei pra trás

    Quis encarar os fatos

     

    Mas assim como o tempo eu não posso

    De esquecer das bobagens faladas

    Da chuva gelada

    De sua rotina agitada

    De como era doce você ser tão diferente de mim

    Eu estava feliz com um peixe mas você queria um leão

    Quem podia imaginar que as coisas seriam assim

     

    Agora é tão tarde pra voltar atrás

    Suas escolhas é você quem faz

    É tão distante

    É mesmo incerto

    Estar tão perto

     

    Nas horas que passamos sem pensar em nada

    Nas vezes que te fiz lembrar em ser amada

    No dia em que me olhou com seus olhos de fada

    No tempo que perdemos com a pessoa errada

     ................................................................................"

     

     Música e Letra de Victor Hugo Salles Guimarães

     

     

    WORDLAND

     

    O poeta fere o concreto

    arrebentando palavras do chão.

    As palavras aos cacos e sílabas

    se juntam em frases,

    sentenças:

    um poema!

     

    Em volta

    os prédios enjanelados

    sóbrios

    sisudos

    e inertes ao poema recém-nascido

    abrigam

    pessoas intactas.

     

    O poema se liberta

    e os olhos de poucos

    (só dos que sabem)

    recebem a luz

    e lêem

    o jovem

    poema

    nascido

    do chão. 

      

    August 13

    SOBRE O MAR DE SÃO PAULO...

     
    "De ferro
    tem que ser a noite que pesa sobre os prédios
    e cristaliza seus cacos de enxofre sobre folhas de janelas."
    Cidade - Rodrigo Petrônio
     
    SINGING GIRL :
     
    são paulo afternoon
     
    TARDE...
     
    ...demais
    é tarde
    o que se fez
    o que se fez é tarde
    pensar numa tarde
    tarde quente
    tarde fria
    tarde que arde nos olhos de sol
    seus pôres, poréns e poluição
    tarde em luz
    resumo à tarde
    um poema
    um som
    que junto com o sol
    que tanto
    já não arde
    é uma música que
    ao pôr-do-sol
    já vai
    tarde...
     
     

    SOBRE AS PORÇÕES INVISÍVEIS DOS DIAS...

     
    "Vou ou não vou?
    A monotonia, a perda, o fracasso. Esporro de todo dia.
    Jornais: avenidas de braços decepados. Fome. Desilusão.
    O relógio, a hora certa, o toque do telefone.
    A peste, doença, manipulações.
    Sorvete na calçada, ponte infinita, trânsito de quilômetros: o caos.
    Compromissos, falta de sono, o desespero da procura.
    A guerra despropositada e mentirosa, a queda da bolsa,
    câmera ligada incessantemente. Incessantemente. Incessantemente.
    A vida pública, o desconforto, o odor.
    A falta de pára-quedas, de sonho, o chão.
    O futuro que nunca, o passado que sempre, o grito ecoado:
    estilhaços do dia respingam na janela.
    Caleidoscópio quebrado, oco, o vazio, o torpor, a elegância.
    Vida. Montanha-russa. Roleta-russa.
    Vou ou não vou?"
    Gatilho - Eloise Porto
      
     
    ESPELHO SIM
     
    se acreditas no que vês
    pense bem antes de ouvir
    sentir antes de pensar
    entendes o que te passa
    dentro
    transforma o pensamento em cristais
    de fino trato
    apronta um momento
    e sozinho
    pensas
    no que fazes
    com o olhar
    de dentro
    de ti
     
     

    SOBRE O DESPERTAR NA LUZ DO DIA...

     
    "De tudo fica um pouco.
    Do meu medo. Do teu asco.
    Dos gritos gagos. Da rosa
    Ficou um pouco.

    Fica um pouco de luz
    captada no chapéu.
    Nos olhos do rufião
    de ternura fica um pouco
    (muito pouco).

    Pouco ficou deste pó
    De que teu branco sapato
    se cobriu. Ficaram poucas
    roupas, poucos véus rotos,
    pouco, pouco, muito pouco.

    Mas de tudo fica um pouco…"

    RESIDUO - Carlos Drummond de Andrade
     
    Variações sobre o mesmo poema:
     
    UM
     
    DOIS
     
     
    10_PERTO
     
    procedo
    de manhã
    a busca da palavra nova
    a seco:
    não sei mais es/calar
    receios
    de falar
    ao vento
     
    aumento
    fosca/mente
    pensando
    nas luzes
    da sala
    escura
     
    entendo:
    a luz vem aos poucos
    o dia espera de mim
    o mesmo das flores
    do meu jardim
     
    do dia
    espero
    acordar
    todo
    ilumi/nado:
    mergulho
     
    nasci de sol
    a sol
     
    e assim
    plantado
    na luz do dia
    vou
    crescendo.
     
    August 11

    SOBRE O DESEJO ERÓTICO...

     

    "Deixa-me gostar de você
    Sentir o gosto do seu sangue

    Guardar seu sabor durante muito tempo na minha boca
    E o seu ardor em mim até o fundo da garganta


    Gosto do teu suor
    Gosto de acariciar as tuas axilas
    Fluindo de alegria


    Deixa-me gostar de você
    Deixa-me ver seus olhos cerrados
    Deixa-me furá-los com a minha língua úmida
    E preencher as suas órbitas com minha saliva
    Deixa-me cegá-lo


    Queres o meu corpo para alimentá-lo
    Queres os meus cabelos para cobri-lo
    Queres os meus rins os meus seios o meu peito

    Queres que eu morra lentamente 
    Dizendo murmúrios e sussuros de criança


    Quero mostrar-me nu aos seus olhos que encanta
    Quero que você em mim seja uma via gritando de prazer
    Que os meus membros criem movimentos muitos
    Te empurrando em atos descontrolados
    E que  meus cabelos possam ser oferecidos
    Agarrados em mim com as unhas em fúria

    E que você se realize no invisível  e creia

    Que em todo o meu corpo o fogo é você."

    GRITOS - Joyce Mansour - Livre adaptação de Julio Carvalho 

     

    SEXO DITO:

     

    adoro falar sacanagem de forma poética

    é um desafio

    e eu penso que quem faz isso

    faz arte:

     

    transformar o inculto em culto

    o profano em sagrado

    lixo em ouro

    sujo em dourado

     
    August 05

    SOBRE O AGORA E SUAS SIGNIFICÂNCIAS...

     

    "De tudo, talvez, permaneça
    o que significa. O que
    não interessa. De tudo,
    quem sabe, fique aquilo
    que passa. Um gerânio
    de aflição. Um gosto
    de obturação na boca.
    Você de cabelo molhado
    saindo do banho.
    Uma piada. Um provérbio.
    Um buquê de presságios.
    Sons de gotas na torneira da pia.
    Tranqueiras líricas
    na velha caixa de sapatos.
    De tudo, talvez, restem
    bêbadas anotações
    no guardanapo.
    E aquela música linda
    que nunca toca no rádio."

    Buquê de Presságios - Marcelo Montenegro

     

    AGORA UM

    hoje tudo bem

    amanhã não se sabe
    amanhã não se sabe se ontem fez bem
     
    ontem quem sabe se o que se fez foi bom
    hoje não sei nem que significado teria
    ou se eu saberia o significado
    de todos os ontens
     
    melhor deixar isso
    pros amanhãs
    (eles que se entendam)
     
     
    AGORA DOIS
     
    o que causa o precipício
    é o princípio
    da queda
     
    não cair
    é ausentar
    suicídios
     
    melhor prevenir
    que autorizar
    o tombo

     

    SOBRE OS POETAS QUE EXISTEM...

     
    Ah baby
    quero conhecer teus deuses
    quero compor um rock
    para contemplar os teus olhos
    eu já pintei no espelho
    a cor do teu cabelo
    eu já ouvi os sinos
    que acordam de manhã
     
    Não baby
    eu não vou discutir
    tua filosofia
    tua forma de sair
    eu já sai assim
    e me travei inteira
    tapei os meus ouvidos
    não quero mais ouvir
     
    Sim baby
    e antes que eu esqueça
    não desapareça
    vamos salvar a alma
    eu também estranho a calma
    que se apossou de mim
    o verso em seu louvor
    começo, meio e fim
     
    baby
    são quero mais a morte
    se me tornei poeta
    foi por pura sorte”
    Letra de música interpretada por Soraya Castelo Branco
     
     
     
    IN-VESTE
     
    de quê você veste
    do quê você insiste
    em ser o que não existe
    um príncipe
    fantasma
    soldado
    satélite
    anão
     
    o que você existe
    está perto
    quase
    na sua
    mão
     
    P.S. "a vida é um toque:
    procure a campainha
    mais
    próxima..."