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    September 28

    SOBRE OS ESTADOS SÓBRIOS...

     
    "Eu tenho que a palavra feroz,
    nos limites
    é
    cão que corre atrás de criança

    que corre
    atrás de carro
    e de gente de bicicleta

    eu tenho
    que a palavra feroz
    é um erro da boca.

    eu teimo que minha boca erra:
    contradizendo."
     
     
    ONTEM CEDO
     
    sobre a esfera
    a espera
    acordando
    devagar
    entre luzes e feras
    soltar as idéias
    de manhã
    fácil quando
    tudo está pronto
    acorda e ponto
    no ponto
    final
    afinal
    é outro dia
    para se estar
    por todos os lugares
    de todas as formas
    de todos os tempos
    de todos os jeitos
    entre todos
    os entretantos
     
    acordar não é segredo:
    a vida abre
    a tempo
    de saber
    olhar
     

    SOBRE OS QUE NÃO ESTRAGAM PRAZERES...

     
    "O prazer do texto é nesse momento em que meu corpo vai seguir suas próprias idéias
    - pois meu corpo não tem as mesmas idéias que eu."
    O Prazer do Texto - Roland Barthes
     
     
    TRY
     
    tento assim porque da outra forma não deu certo
     
    o incerto
    o incorreto
    é o abuso das idéias.
     
    o prazer de descobrir
    o que é novo
    dentro do que está velho
    é muito maior
    que qualquer
    outra descoberta
    fácil
     
    é como fazer chover nos dias quentes de verão
    água fresca
    namorar outra vez
    descobrir
    que o que envelhece
    não é o corpo
    e sim
    o coração.
     
    September 17

    SOBRE OUTRAS TELAS E OLHARES...

     

    "La luz me hace guiños. Le respondo haciendole guiños com mi sombra."

    Roberto Juarroz - 1925 - 1995  - poeta argentino. Ensaista, tradutor e crítico literário.
    Fez parte da Academia Argentina de Letras.

     

     

    OLHO MÁGICO
    para Josemira
     
    Eu vejo nos teus olhos
    tanta alegria que ainda não tive
    tanta dor que sentirei
    Eu vejo nas tuas mãos
    os calos do esforço que ainda farei
    do tempo
    do trabalho
    das emoções que terei
    dos sorrisos
    das lágrimas
    dos sonhos
    (dos sonhos achados e tantos perdidos)
    das cores
    paisagens
    pinturas e telas
    que ainda não sei...
     
    Mas nos teus olhos eu vejo:
    aprendo a beleza
    do que eu com certeza
    a viver aprenderei.
     

    September 13

    SOBRE AS PARTES DE PALAVRAS E COISAS...

     

    ”Tudo mudou.

    Homens, coisas e animais mudaram de lã ou de pele.

    As palavras já não são as mesmas.

    Olho o mundo de todos os ângulos possíveis e tudo me parece oblíquo.

    É a civilização globalizada, a cultura de massa, a sagração do factóide,

    a fragmentação dos idiomas.

    Corta-se a palavra em frações microscópicas.

    A vida, o amor, a morte, a realidade:

    tudo agora virou fast food.”

    Francisco Carvalho  

     
     
     

    FRAGMENTOZONE

     

    Olhe

    jogados

    pedaços

    de sílabas

    pra

    ver

    que

    não

    tem

    sem

    100

    tido

    e teremos que juntar as palavras de novo

    além dos textos e das línguas extintas

    agora existem e são as palavras mortas

    assassinadas pela fumaça

    pelo efeito estufa

    camada de ozônio/zona

    amazônia

    a zona toda da globalização

    e a realização

    REALIZAÇÃO

    pessoal

    em massa

    pela deformação das culturas

    esculturas

    (ex culturas)

    de massa

    amassa a palavra.

     

    Será que mais outra língua

    pela palavra

    passa?

     

    SOBRE AS INEVITÁVEIS FRAQUEZAS...

     
    avesso.
    eu fico acesso.
    eu fico.

    não confundo o teu com meu umbigo.
    confirmo o sexo avesso,
    masturbo até com a cor do vinho!

    vejam meu equilíbrio,
    posso rondar, torcer, dentro viver. ser o intestino.

    eu que era ser você
    quem me dera ser “VeCê”

    eu quero
    eu que fico
    eu que sou o herói disso!
    in
    http://www.rochapapelao.blogspot.com
     

    NO GAS

    acabamento

    ainda não me sento bem
    nem sinto sobre
    algumas conclusões
    o acento agudo dói na palavra seguinte
    ainda que eu não saiba
    a próxima rima
    expresso
    e o que tenho sentido
    não me deixa em paz
    (ando muito fraco rapaz!)
    corpo corpo corpo corpo
    teu cansaço me desgasta
    à força me pego adiante
    insistindo em pedaços
    ando ande andando adiante
    mando todo tudo o resto longe
    canso
    não mais tão manso
    avanço
    cansado
    e levo a vida
    a cabo
    e acabo
    aqui 
     
    September 08

    SOBRE ALGUNS ACASOS DO SILÊNCIO...

     
    "De suas pálpebras. Nós... nós batíamos as pálpebras. Chamava-se a isso piscar.
    Um pequeno relâmpago negro, uma cortina que cai e se ergue: deu-se a interrupção.
    Os olhos se umedecem, o mundo se aniquila. Não pode imaginar como era refrescante!
    Quatro mil repousos por hora. Quatro mil pequenas evasões. Quatro mil, digo eu...
    Como é? Então, vou viver sem pálpebras? Não se faça de bobo.
    Sem pálpebras, sem sono, é a mesma coisa. Nunca mais hei de dormir...
    Como poderei me tolerar? Trate de responder, faça um esforço!
    Tenho um caráter implicante, como vê, e tenho o costume de
    implicar comigo mesmo. Mas... mas, não posso estar implicando sem parar.
    Por lá, havia as noites. Eu dormia. Tinha o sono leve. Em compensação, sonhava coisas simples.
    Havia uma campina. Uma campina, nada mais.
    Eu sonhava que estava passeando por ela. É de dia?"
    Sartre - Entre Quatro Paredes
     
     
     
    IN OPTO
     
    quase nunca
    ninguém disse
    o que pode
    fica em silêncio
    dentro das coisas
    entre as palavras
    entre o medo
    de dizer
    e entender
    o outro
     
    nas entrelinhas
    quando
    não se diz o que sente
    aparecem
    as ervas
    daninhas 
     
    September 06

    SOBRE A LUA EM VÍDEO E OS INDIVÍDUOS...

     

    “a vida não evita

    o que acontece

    é que pensar

    quando se medita

    é inevitável.”

    Julio Carvalho

     
     
     

    APARIÇÃO

                   Do Alto da Lua para Aldo

     

    linda a lua em video

    video a lua

    vide a lua

    vice versa

    nos versos

    na lua

    medite com a lua cheia

    medite vazio com a lua cheia

    medite na cidade

    com a velocidade

    da cidade de noite

    em vídeo

    na tela plana

    medite

    um plano

    novo

    todo

    dia

     

    lunares

    nas ruas

    nos bares

    lugares afins

    cidades enfins

    dentro de cada um

    a cidade medita

    com a velocidade

    devida

    da

    vida.

     

    September 02

    SOBRE O SILÊNCIO E O TUDO PRA DIZER...

     
    "Escrevo onde à nudez cabe o papel habitualmente atribu
    ido a uma janela.
    Quando afasto as cores para no lugar delas não deixar senão a luz
    ou me debruço ao peitoril sobre os meus próprios intestinos,
    a ficção fica por conta dos relâmpagos.
    É como se habitasse uma cidade que tivesse um espelho por subúrbios
    e o mar viesse estilhaçar-se ao fundo da memória, onde se encontra o coração.
    Abro na página um buraco onde alicerço a casa, as letras vêm às janelas."
    ODE À NUDEZ - Luís Miguel Nava
     
     

    NO ECO

     

    A fala da fala da fala

    a fala sem sentido

    sem ouvido pra ouvir

    sem nexo

    sem rumo

    sem prumo de fio algum cortando

    a palavra dita

    insignificante

     

    nada entendido

    com tantas vozes na cidade

    aumenta-se

    o silêncio

    dentro

     

    ouve-se

    nada

     

    e o barulho

    apesar

    se

    faz

     

    UM ECO

    Microcontos

     

                                                                                         CLIQUE AQUI E SE APROXIME... 

     

    OUTRO ECO

     

    HAI KAI               <==============         é onde clico aqui!

     

    Não sei se posso

    a voz não sai

    agora

     

    September 01

    SOBRE AS ESCURIDÕES DOS OUTROS...

     
    "..................................................................................................................................................................................................
    Mas uma história em especial me tocou, não me emocionou, mas me levou ao ponto de pensar e repensar como a questão carência nesses tempos cibernéticos e internéticos piora em larga escala e as pessoas ainda acreditam que estão em seu estado normal, que não precisam de ajuda. Um encontro, duas pessoas com mais de dezoito anos, vacinadas.
    Terceiro encontro, começa a surgir o que se pode chamar de relacionamento duradouro hoje em dia.
    Ainda se pisa em ovos no terceiro encontro, você está conhecendo a pessoa, apurando suas impressões preliminares, curtindo aquele momento com alguém diferente, desbravando um novo mundo. Inclua aí, em maior ou menor grau, frios na barriga, vontade de encontrar, até quiçá uma pontinha de esperança de um futuro juntos.

    - Eu te amo - diz a outra parte.

    Como assim? Que brincadeira é essa com o amor, o sentimento mais idolatrado e temido entre os seres humanos, quase um semi-deus de todos os tempos, palavra que não basta falar, tem que sentir. Elis cantou tanto "amor só é bom se doer" que todo mundo devia saber que "eu te amo" só passa a ser frase corriqueira do casal quando se há alguma certeza, a mínima que seja, senão deixa ser título de música do Chico Buarque (aliás, bela música).

    - Peraí, você me assusta desse jeito.

    Resposta mais óbvia não poderia ter. A não ser que você acredite piamente em amor de saquinho (explico já para quem não entendeu), não se deve dizer essas três palavras enquanto os sinos não soarem, enquanto você não enxergar borboletas amarelas abrindo caminho para a pessoa quando ela chega até você numa tarde morna ou seu peito quase explodir quando a pessoa lhe toca. E se você sentir isso tudo no terceiro encontro, sinto informar, é alucinação.
    O amor precisa de tempo para se instalar, é um senhorzinho velho e cansado numa estrada comprida com um trono na ponta e quando ele chega nesse trono ainda precisa de tempo para sentar-se, à maneira dos senhores velhinhos e cansados. E se não for assim é amor de saquinho, como chá de saquinho ou sopa, novidades modernas.
    Você coloca um pouco de água quente e pronto, lá está o amor, com toda sua exuberância, seu tempo de convivência, sua troca de energias e intimidades, seus pudores e despudores, sua libido com altos e baixos, as neuras de amor que sempre existem, o ciuminho temperado, as juras e todo o resto que tornam o amor algo realmente especial.
    Não instantâneo.

    Paixão, esse deve ser o nome. Essa pode ser como nescafé, numa xícara com água fervendo. Pode durar um dia, uma semana. E pode virar amor. E aí sim, e somente assim, se aconselha a proferir as três palavrinhas.
    E quando fizer isso, saiba que é um caminho sem volta."
     
     
                                                                                                                              Fonte: http://omuroeoutraspgs.blogspot.com
     

    SO...

     

    então

    eu entro dentro da minha porta em silêncio

    e começo a andar nos meus quartos feito sonâmbulo

    quanta coisa não sei sobre tudo

    o que sinto sobre tudo

    o que sei sobre tudo

    só sei ser poético em cada coisa que faço

    e lido em cada passo...

    e respondo as coisas com o melhor que posso

    mas o que muitas vezes vem

    são mentiras

    são as coisas que não falo

    não sei

    não faço

    não sinto

    e os outros não conseguem entender

    o que mostro

    com o coração exposto

     

    então entro de novo nos meus quartos escuros

    procuro nas paredes o tato da luz

    um interruptor

    se não acho

    e deito dentro de mim

    e fico quieto

    e penso:

    outro dia eu vou acordar

     

    só tremo quando durmo

    e o corpo do lado reclama

    dizendo que o prazer

    é outro

    eu fico louco

    se o meu tempo não é igual o do outro

    não adormeço mais

    fico em sombras

    sobras

    uma imagem

    atrás dos panos

    e de novo

    os silêncios

    e não haverá outro copo de whisky que me trará as respostas

    porque não há bebida pra isso

    poção ou segredo

    nem bola de cristal nem cartas nem mágica

    todos foram descobertos

     

    o outro é mistério

    não se sabe até que se olhe

    dentro:

    a boca saliva resposta

    mas eu não ouço nada

    porque a palavra está errada.  

     

    SOBRE CAIR EM TENTAÇÕES...

     
    "Ya no es mágico el mundo. Te han dejado.
    Ya no compartirás la clara luna
    ni los lentos jardines. Ya no hay una
    luna que no sea espejo del pasado,
    cristal de soledad, sol de agonías.
    Adiós las mutuas manos y las sienes
    que acercaba el amor. Hoy sólo tienes
    la fiel memoria y los desiertos días.
    Nadie pierde (repites vanamente)
    sino lo que no tiene y no ha tenido
    nunca, pero no basta ser valiente
    para aprender el arte del olvido.
    Un símbolo, una rosa, te desgarra
    y te puede matar una guitarra.

    II

    Ya no seré feliz. Tal vez no importa.
    Hay tantas otras cosas en el mundo;
    un instante cualquiera es más profundo
    y diverso que el mar. La vida es corta
    y aunque las horas son tan largas, una
    oscura maravilla nos acecha,
    la muerte, ese otro mar, esa otra flecha
    que nos libra del sol y de la luna
    y del amor. La dicha que me diste
    y me quitaste debe ser borrada;
    lo que era todo tiene que ser nada.
    Sólo que me queda el goce de estar triste,
    esa vana costumbre que me inclina
    al Sur, a cierta puerta, a cierta esquina."
    Jorge Luis Borges
     
     
    ALMOST FAMOUS 
     
     
     
     

    FALLING

    Ouvindo Corinne Bailey Rae - Like A Star

     

    O que vem dos céus

    feito estrela cadente

    entre precipitações

    e conclusões sobre os sentidos

    em que alguns vivos não tem coragem de dizer aos céus

    o que outras canções ou poemas

    poderiam dizem sobre um sentimento.

     

    Não se sabe ao certo

    onde da próxima vez

    qualquer paixão possa cair

    entre estrelas e paixões

    eu sou alguém

    cadentemente

    apaixonado

    sempre.