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May 07 SOBRE AS VOLTAS...eu traduzo só o que os outros não sabem porque o uso dos outros é a minha palavra escondida J.C.
![]() ![]() a palavra favorita está escondida nos bolsos e nas bocas dos outros o que eu escrevo é só o eco do que eu roubo e escuto dos bolsos e que acaba em poesia mesmo April 27 SOBRE O AMOR E OS INFINITOS...
“A mariposa sob as goteiras
e o amor é uma curiosa Prelúdio ao Inverno - William Carlos Williams - Tradução de José Lino Grünewald
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![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() INFINITO-ME
eu não tenho nada com isso até o infinito dos dicionários dos exageros e outras coisas sem fim
penso nas coisas de olhos fechados que é para que as coisas não tenham nem começo - no escuro não se vê nem o meio quanto mais o fim
esses infinitos são absurdos científicos que a física quântica tenta que tenta explicar e só consegue espaços com horas vazias e raciocínios na dobra do tempo perdido
melhor que as coisas infinitas sejam bem ditas e muito mais percebidas por outros sentidos e fala e língua e olho e fato e pele
apelar pro infinito desses sentidos faz mais sentido que todos os outros infinitos científicos juntos
eu não tenho mais paciência para certos cálculos sentimentais... March 15 SOBRE A PALAVRA ENCONTRADA...
“Sonho o poema de arquitetura ideal tornei-me perito em extrair A Fábrica do Poema - Adriana Calcanhotto / Waly Salomão
http://www.palavraencantada.com.br
eu sou alguém que tem que segurar as sensibilidades com muito cuidado pelo lado de dentro e as paredes que me contém são de letras fáceis e de coisas leves nem as aves voam tão alto assim não seguro tudo pra não cair de maduro sou o tudo muito muito eu nós muita voz muito eles eles todos que ouvem pelos buracos pelos cacos e outros retratos de ponta não sou o que desaponta e o que tem os sentidos roubados de livros e arestas de ruas e das coisas atrás das paredes e das redes de computadores online conectadas muito fora da linha como o desalinho das nossas naus sem rumo nav(el)egantemente em mares de sentidos com suas marés instáveis de fluxo sanguíneo tão vermelho quanto coagulado de sensações tão juntas que o espanto é pouco pra uma definição completa da linha direta que une em mim a poesia, música e inspiração.
March 11 SOBRE OS OLHARES DA ARTE...
"O verdadeiro artista é o que dialoga com sua obra, o impostor dialoga com seu público" E. H. Gombrich
CINCO OLHARES
February 17 SOBRE MEIOS E CÍRCULOS...
"entre o fim do começo e o começo (A Partir de amanhã eu juro que a vida vai ser agora, 7Letras, 2008)
coisas que giram e andam em círculos e os círculos dentro dos circuitos das voltas que o mundo dá
(entendem-se as voltas e os recomeços e todas as outras coisas que andam juntas e agarradas)
a vantagem dessas coisas circulares é que elas não tem lados e sempre se pode segurar em qualquer ponto do trajeto
entendo melhor a vida em círculos do que viver pelos quadrados chorando pelos cantos
February 06 SOBRE A NATUREZA DA ARTE...
“Mas ainda mais raro, particularmente na época moderna, é quando um artista é capaz de penetrar-se na profundidade dos objetos, bem como na profundidade de sua própria mente, a fim de produzir em suas obras não apenas algo que faz efeito de maneira leve e superficial, mas, em competição com a natureza, algo de espiritualmente orgânico, de modo que possa dar à sua obra de arte tal conteúdo, tal forma que faça com que a obra pareça ao mesmo tempo natural e além do natural.” Propileus* – introdução, S.W. Goethe
respostas da natureza que os homens deveriam ter:
a natureza nunca é enferma - simplesmente morre - a natureza ao contrário dos homens não adoece.
o que é natural tem flexibilidade movimento e adaptação.
February 05 SOBRE MUDANÇAS E DESEJOS...
"As mudanças virão e serão profundas", me diz minha amiga Alice Ruiz, que conhece os trânsitos astrológicos, coisa que eu não manjo bulhufas. "Tenha paciência, aguente o tranco. E dê um sorriso, ainda que amarelo". "É tudo o que eu preciso.Voltar a ser mais moleque, como eu era antes", respondo. "A poesia agradece", me diz Alice.” http://zonabranca.blog.uol.com.br
A FALTA QUE UMA FLOR ME FAZ
não quero mais pingüins na imaginação nem eternos verões a pino não quero passar vergonha em fila de banco nem ficar branco de susto dentro do cinema e engasgar com a pipoca que anda um absurdo de tão cara (já viu o preço do refrigerante de zero caloria?) não quero mais ouvir falar em crise e procurar saber porque há tanta falta de flores nas floriculturas aqui perto de casa (há falta de flores em todo lugar nessas urbanidades) não quero mais ter que pensar em dinheiro fazendo os cálculos já para o mês seguinte não quero ter muito requinte, mas também não quero ficar sem algumas preciosidades: o tato e a boca querem conforto vezenquando.
não quero ficar sem meus livros não quero perder algo sem aviso não quero ficar sozinho não quero brigar com meu vizinho quero uma vida em paz e um dia ainda se eu puder quero é poder viver bem tranqüilo com os pingüins, os verões, os bancos de praça ou não, os cinemas, a pipoca, o refrigerante de caloria zero, as minhas crises e outras, as flores e as floriculturas, o dinheiro e os cálculos, os poucos requintes e as preciosidades, os livros, os avisos, os vizinhos, a solidão, o tato e a boca fechada porque já falei e escrevi muito. tenham um bom dia e passar bem.
February 02 SOBRE AS SENSAÇÕES DESUMANAS...
“apagar-me diluir-me desmanchar-me até que depois de mim de nós de tudo não reste mais que o charme” Paulo Leminski
eu vivo com uma sensação uma espécie de ódio mas é um ódio que não mata nem cura
January 29 SOBRE ENTRADAS E SAÍDAS...
[pieces]
"I feel useless.
I feel stupid.
I feel made fun of.
I feel inappropriate.
I feel like an idiot.
And I don't like how that feels." ![]() PROPIL_EUS*
- a porta de entrada para os pensamentos - a quietude da alma não é nenhuma roupa de festa – ter mais respeito enquanto eu puder ficar entre o exagero e o silêncio – existe sempre alguém no caminho entre o eu mesmo e tudo o que pode ser feito – a criatividade sofre com a calma – a arte interior é inexprimível: tanto o infinitamente grandioso quanto o infinitamente pequeno - a linguagem é pouca diante dos fatos – é um tanto melhor querer viver ignorando certas memórias – o pior é ter consciência da maldade humana – amadurecimento é se contaminar: aprender como o brinquedo funciona faz com se perca a graça da brincadeira – desejar sempre o extraordinário perto da demência – querer uma apologia ao "não julgar os outros" – de certa forma não julgar porque se é inocente – não conhecer todas as maldades para não poder julgá-las – decidir controlar todos os ímpetos – o discurso é sempre insuficiente - falar e falar e falar e escrever e escrever e escrever e estar sempre incomunicável.
*Propileus – é uma palavra de origem grega que designa o pórtico grandioso do templo de Atenas e a escadaria de mármore pentélico, por onde se subia à Acrópole de Atenas.
January 28 SOBRE TAMANHOS E NÚMEROS...
“O abismo é o muro que tenho Ser eu não tem um tamanho.” Fernando Pessoa
Análogo Inconfesso
penso ser diferente mas de toda gente quando com paro: é tudo igual em dor em tamanho em desejo em desespero em tudo muito um igual esse igual a é um medo de ser passado a ser só mais um só um volume um número um cadastro uma data de nascimento e morte aqui nasce aqui morre aqui jaz mais uma soma uma conta uma subtração só
January 26 SOBRE AS IDAS À LUGARES REMOTOS...
"vamos, botar todos os pés e corpos em todas as estradas até longe e até perto olhar e dormir e acordar olhando conversar em todos os sotaques – como se fossem outras línguas: todas nossas - vejamos por baixo de nossas peles inquietas confirmando que somos como sempre nos vimos - e sempre diferentes disso - através dos olhos e cheiros de nós." http://achuvaimovel.blogspot.com
by Eduardo Telles
EXEGESE*
um não-tem-rosto querendo um não-sei-o-quê pra poder ir não-sei-pra-onde atrás de não-sei-o-quê
a dúvida só seria quando...
*Exegese é a interpretação profunda de um texto bíblico, jurídico ou literário.
January 23 SOBRE AS NOITES MUITO LONGAS...
“Fazer poesia é confessar-se” Friedrich Klopstcock
“Amor? Não trabalhamos.” http://www.namoradoimaginario.com
mas mandamos buscar quando possível quando impossível inventamos aqui dentro mesmo
não sei se é certo esse tipo de engano mas funciona nos momentos em que a casa cai enquanto pensamos deitados sozinhos na mesma cama de sempre
(longos pensamentos para noites muito curtas)
January 17 SOBRE DIVISÕES E PALAVRAS..."Eu preciso destas palavras escritas"
Arthur Bispo do Rosário ![]() dividido por
até que a morte nos separe
até que a sorte nos separe
até que um corte nos separe
em dois lados amargos
des (afiados)
SOBRE A PELE E AS DEFINIÇÕES DO AMOR...
"Eu essencialmente não sei nomear muito bem o que é amar. Para mim, amor é uma palavra meio cachepot que se usa para identificar uma infinidade de sentimentos/combinações de sentimentos muito complexos que a gente não consegue explicar direito."
modo pele
a pele não responde mais como deve
a pele é um fogo estranho os poros rebeldes mudam de lugar o tempo todo
a pele é um órgão público (todo mundo vê) um vermelho quente com as bordas marcadas e sinais formando continentes e desenhos próprios e desejos súbitos
a pele é um todo incômodo outro país é um algo em febre
SOBRE RETOQUES E DESVIOS...
"...vez ou outra, me vejo querendo retocar demais. Esses dias, venho buscando o imperfeito, mas é muito difícil." Lúcia Hiratsuka
desvio
como deve ter sido
incômodo deve ser o insensível sem ter tido
December 27 SOBRE ROSTOS E PALAVRAS...“Para entrar numa casa, abre-se a porta. E num rosto? Não se entra propriamente num rosto, é certo; mas não haverá, no fundo do olhar, uma espécie de porta? Um abrigo? Uma espécie de recepção? Uma vez o rosto pronto, entra-se no segredo...” Malditas Palavras – Anne Sauvagnargues
photo by Bruno D'Ugo
SOBRE OS GÊNIOS E A LUZ..."Eu creio, sinceramente, que a sociedade nos hostiliza.
Acho que há um Mozart assassinado em cada um de nós,
um lado mais puro, espontâneo, sincero e muitas vezes um gênio,
dentro daquilo para o qual a natureza lhe dotou.
Há muitos anos passei a viver no campo, fazendo coisas
que podem parecer inúteis para alguns. É uma covardia? Talvez.
Uma recusa em tomar parte desta sociedade.
Pode parecer uma fuga, ser mais fácil não fazer nada,
mas é importante cortar bem a sua lenha, cultivar a sua horta.
Fundamental lutar pela felicidade. Eu possuo a felicidade.
E a felicidade consiste em fazer uma coisa por vez:
beber um copo de água sem pensar em mais nada, por exemplo.
Para conseguir a felicidade, a gente não é obrigado a realizar coisas excepcionais."
Jean Louis Trintignant
photo by Bruno D'Ugo December 11 SOBRE COISAS DO CORAÇÃO..."o suporte surto-suporte - Vagner Pitta fotomicropoemas cardíacos
![]() December 09 SOBRE AS PEQUENAS CONFISSÕES...
"Já passa do tempo e ainda...
todos os dias eu sou uma besta durante quase todo o tempo
com inteligência variável no decorrer do período
e possíveis pancadas de idiotice no final das tardes livres
mas antes isso
do que fingir
ser palavra emparedada
em livro
e ficar de página
calada
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