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ANIMUS VIVENDI- SINE QUA NON - indis ¬ pensável September 22 SOBRE TODOS OS COMEÇOS, MEIOS E OUTROS FINS...''O que quero com este blog?
Lembrar às pessoas que existem na vida outros,
diversos outros, espaços
e cenários
possíveis.''
Julio Carvalho ![]() " Blogs: a mídia é a mãe.
O pai é desconhecido. Que reine a bastardia." Ivan Lessa - in WUNDER BLOGS.COM SOBRE OS INTERIORES...“Aos olhos dos outros,
um homem é poeta se tiver escrito um bom poema.
Aos próprios olhos, ele é poeta apenas no momento
em que faz a última revisão num novo poema.
No momento anterior, era apenas um poeta em potencial;
no momento seguinte, é um homem que parou de escrever poesia,
talvez para sempre.”
(W. H. Auden)
OVO I
gema
gemala
gema na alma
algema
na mala
megera
gema
geometria
gen
genética
imagética:
ovo
OVO II
de fora para dentro
não se quer
não se ouve
não se tem
não se vê
não se
para
August 23 SOBRE OS PORQUÊS DOS DOCUMENTOS...
"por que retrair-se à agenda alheia - desistir dos cinco sentidos - por que o relógio, as distâncias que cria, o mover-se a sua sombra - por que as chaves giradas, o diário trancar-se com a família - por que a gravata, esperar o fim do dia, dos dias - por que o espelho, o asseio, a rotina dos sapatos - por que as senhas, os códigos, os telefones de emergência, endereços - por que os passos, os prazos exíguos, as datas consumidas como aspirinas." Tarso de Melo ![]() .doc I
cansado do sério do estéril
do seco
engolir a seco o sono os relatos dos outros e andar olhando para frente inventando vontade inventando uma força qualquer inventando coisa sem fantasia
o seco nos olhos não tem lágrima que seja suficiente
e nem nada que venha de dentro inunda e completa
somente silêncio
e os acasos colados nos postes - cartazes grudados no meio da rua
o tempo é roubado impiedosamente
a cor é cinza
.doc II alguém sabe como deslizar a paixão?
.doc III surreal: a parede da cozinha desabou sozinha - a solidão vem se alastrando até pelas paredes
August 21 SOBRE OS DIAS QUASE RUINS...
"Quero aprender astrologia hermética, encontrar você na próxima reta, desse mundo curvo, sem fim, sem nexo, esse paradoxo, estrada errante, sem final.
Porque é um entra-e-sai de novidades, todas sem novidade. É o pensamento sem a menor chance de filosofia, nesses dias de mídia-guia, que não há chance nem para a terra, nem para o sal.
Quero muitas facilidades, eu sei. Mas você sabia. Você sabia. Você sempre soube que nós estivemos um para o outro, para além do bem e do mal." http://laescenadelamemoria.blogspot.com
photo by Bruno Alvarez
Café com algo e nada para márcia melo
Naquele dia no café eu não sabia se meu olhar era de tristeza ou de uma alegria forçada Tinha tido uns dias difíceis e de repente foi um convite que me fez sair de casa para tentar melhorar um humor que já estava pra lá de ruim Aceitei o convite dela de sair do meu confortável casulo particular fechado-em-mim-mesmo-de-raiva-do-mundo-e-de-mim-e-de-tudo. Não fomos a nenhum lugar muito longe de onde moro. Nenhum lugar em especial Um café até bem conhecido na região onde quase sempre eu encontrava alguém comum. Alguém ou algum conhecido comum. Não pedi nem muita coisa e só fiquei mesmo com um café longo - que de longo não tinha nada, pois que a maldita xícara era do mesmo tamanho do café que ela pediu. Eu andava muito irritado, mas precisava dos olhos dela e de ver seu cabelo meio desajeitado e seus olhos um pouco cansados e ela falando sobre o carro que tinha sido consertado e blá blá blá – assuntos tantos e tanto sentimento. Olhamos para os lados e reparamos pessoas – o cara da mesa do lado que é um gato, mas muito gordo etc etc etc – e as coisas seguiam assim falando do mundo das pessoas amigos comuns pretensões comuns justificativas medos sinais cansaços e suas formas de vida enquanto pães de queijo em numero de duas vezes oito eram comidos sem gosto – eu fico azedo e de boca amarga. Nem sempre se fala bem de tudo ou se entende que todo mundo é tão bonzinho quanto parece e até as relações e as conversas passam por dietas e pelas coisas do mundo normal Mas não era isso que importava tanto Não era o lugar o momento a conversa Era outra coisa que estava muito além disso e passava meio que nas entrelinhas dos olhos de duas pessoas que não estavam só sentadas num café falando besteira Era um encontro de dois mundos muito bem conhecidos que apesar até das diferenças se encontram se resvalam e combinam com certa sutileza Lembro de muitas vezes pensar nela com certa raiva e num depois sempre que tentava falar algo mais grosseiro as outras palavras tomavam conta e só me ficavam as coisas boas na língua. Sobrava só um gosto de delicadeza. Sutileza delicadeza de certas pessoas certas que fazem o amargo que acaba doce mesmo que o mundo esteja parecendo nada. Eu fico com seus olhos e seu cabelo desarrumado mesmo. Nessas horas é que eu me pergunto se amizade também não seria palavra que se confunde muito com amor.
(Amigo também é palavra que se confunde muito com amor)
August 10 SOBRE ALGUMAS OBSERVAÇÕES...![]() colágenos pessoais
I todo som mesmo que não, entra
o ouvido não tem pálpebras - não tem como evitar o ruído
tudo fala demais o silêncio anda muito caro
II cansado das pessoas-azulejo que não se pode dizer falar ferir nada sobre sempre o correto grudado nelas - uma maldita cola medíocre
III ainda falamos de computadores a nova geração não fala - faz
IV depois do corte só o que move sangra
July 27 SOBRE OS SINAIS DO AUTOR..."Tragam-me uma definição de poesia e eu lhes trarei uma poesia capaz de negar essa definição." Do poeta Iacyr Anderson Freitas em entrevista para Hilton Valeriano.
OS SINAIS DO AUTOR Adaptado de O Ator , Segundo Camus de Lacyr Anderson Freitas o que construo acaba sempre ruindo logo
verde: acabo de nascer, nasci agora nas próximas poucas páginas vida a que me dou e agora em seus braços
e no que não seja aparência e erro tudo o que sei tempo tempo tempo tempo e fuga
vermelho: queimo as palavras que me excedem para essa eternidade que me faz nascer e morrer
July 20 SOBRE AS PALAVRAS JOGADAS FORA... "morro de amores
e mordo diamantes"
![]() palavreários
I literários criticantes durante e depois
II nenhuma parte alguma e ninguém nunca viu o diabo que te carregue que é só mais um insulto e que se fosse de verdade era tanto diabo andando que nem ia mais caber tanto capeta junto dentro da mesma cidade
III ninguém é de acém além de carne a gente depois que morre nem percebe que só o verme é que sente
IV o que sai da boca é líquido e certo e muitas vezes não tem conserto
July 01 SOBRE TODOS MOMENTOS DE AMAR...
"os juramentos que nos juramos entrelaçados naquela cama seriam traídos se lembrados hoje eram palavras aladas e faladas não para ficar mas encantadas, voar faziam partes das carícias que por lá sopramos brisas afrodisíacas ao pé do ouvido jamais contratos esqueçamo-nos pois dentre os atos da língua ouve outros mais convincentes e ardentes sobre os lençóis que esses em futuras noites em vislumbres de lembranças sempre nos deslumbre." Palavras Aladas - Antonio Cícero
lovevol- Julio Carvalho
I queria voltar a falar do amor sem amar beber água sem sede cansado de andar faltando ainda mais que um quilômetro então ficam amores passados já que presente não existe nem sentimento agora é só amor de lembrança que não alimenta só aumenta solidão
difícil sina de poeta amar sem amar quase sempre
II o vinho virou água - ao contrário do que se pensa nem tudo são milagres
II o casal na sala fechada botando a limpo segredos e outras confissões bestas de traições e tantos outros absurdos conjugais reclamações femininas atrás da porta
ela diz que o marido é um galinha ele diz que precisa de ovos senão o relacionamento tranca
no final a porta nem abre o cheiro na fechadura choca
June 30 SOBRE VERDADES E MENTIRAS..."fuce. mais. encontre o estrume. o estilo.
fuce poeta. atrás -por trás - da palavra. ela vai dizer que não quer. que é moça. fuce. force. não fale a verdade: fale: salvação. escória. ventre. talvez ela olhe e mostre a língua. ou o lábio encarnado enganando a boca. ou contorça-se em mesóclise. talvez. não fuja. enfrente. gadunhe com febre. a palavra falseia mas gosta dos cantos. das entraduras sem que ela peça. vá. cresça dentro da palavra. esqueça vergonha menoridade castigo. faça seu dever de porco. de macho." quase um sonetinho terroso - Rubens da Cunha
![]() fim dos casos
quase toda a verdade veio a tona
desafogada
muita gente veio ver
virando noites e noites
em viagens e voltas atrás dos fatos
a água lhe saia pelos ouvidos e livros e livros e livres
eram vendidos tentando explicá-la
não houve apuração de nada
nada se confirmou e nem nada se soube
talvez fosse só mais uma mentira
desaforada
June 27 SOBRE OS DIAS FRIOS...
"Foi por meio da poesia que você conseguiu respeito? Eu conquistei o desrespeito, que é uma forma de respeito ainda maior. Um poeta que se dá bem com todo mundo está fazendo uma outra coisa que não poesia. Ele deveria estar trabalhando no Itamaraty. Porque você está num ato de franqueza e transparência inadmissíveis. Tem de ter uma crueldade consigo para não ser cruel com os outros. Você tem de ser prodígio de seus defeitos. Você acha que isso aproxima a poesia das pessoas, pela identificação? Pela humanidade. Gosto muito de uma frase de Nelson Rodrigues, “toda grandeza desumaniza”. A gente tem que encolher. Nosso corpo encolhe ao longo da vida de propósito. A gente tem que aprender a dar espaço." Do escritor Fabricio Carpinejar em entrevista a Carlota Cafiero
não vou fazer nada
hoje
o frio enclausura todo pensamento
ficar em casa com chocolate quente
escrevendo
e inspirar um pouco
faz tempo que não escrevo nada
senão perco a mão
o jeito
o pé
a cabeça
o pescoço
o corpo
eu me perco todo se não escrevo
eu viro lâminas
eu corto
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